O PCP, a Classe Operária no Paraíso

Blog destinado a revelar e sempre que possível a evidenciar as virtudes dos dirigentes e chefes da classe operária portuguesa e a promover a ascensão da mesma ao Paraíso, lugar por determinismo e vocação, onde moram todas as revoluções e em especial as desencadeadas em nome dos superiores interesses das classes mais oprimidas.

Domingo, Maio 07, 2006

Os pobres também se revoltam?

Recebemos um email de um tal Comité para a Revolta dos Pobres em Portugal (CPRPP), sediado em Lisboa, na Rua dos Inglesinhos, o qual transcrevemos na íntegra, adiantando alguns comentários em "posting" posterior:


O Comité Para a Revolta dos Pobres em Portugal, assinala que, contráriamente ao que os partidos políticos dominantes têm vindo a prometer sistemáticamente ao longo das várias campanhas eleitorais, os diversos governos do país nos últimos 20 anos têm governado não apenas a favor dos mais favorecidos (criando inclusive uma enormíssima classe de novos-ricos cujo contributo para o desenvolvimento do país é igual a zero), mas e sobretudo contra os mais pobres e necessitados.

O CPRPP considera contudo que a solução dos problemas dos mais pobres e necessitados não passa fundamentalmente pelos partidos políticos clássicamente "à esquerda" ou pelos sindicatos, os quais se transformaram eles próprios em partidos e organizações inseridas no sistema, recebendo chorudas "contribuições" do próprio Estado que assim os torna cada vez mais subservientes e acomodados.
Não sendo contra os sindicatos e os partidos políticos existentes e em particular os mencionados, o CPRPP acredita que a solução dos problemas dos mais pobres e necessitados passa essencialmente pela geração expontânea de um amplo movimento popular de indignação e revolta contra o actual estado das coisas e em especial contra as organizações políticas responsáveis pela actual situação económica e social do país.

O movimento popular de indignação e revolta não deve ser um movimento de direita ou de esquerda e sobre isso não deve ter quaisquer preconceitos. Quer à direita, quer à esquerda existem pessoas que se orientam por princípios e valores que estão em concordância com os direitos fundamentais dos cidadãos e a Carta das Nações Unidas. Tal como à direita e à esquerda há o oposto.

Este movimento popular deve ser independente e não recorrer à violência como instrumento de acção política, salvo em caso de legítima defesa se atacado violentamente pelos órgãos repressivos do Estado visando reprimir acções pacíficas e ordeiras. A acção do movimento popular deve ser pacífico mas firme nas suas exigências recorrendo, se necessário, a apelos à desobediência civil e a outro tipo de manifestações que expressem a indignação do povo face à política governamental.

O movimento popular de indignação e revolta deve privilegear o diálogo e a negociação com todos os partidos parlamentares e outros que estejam interessados nesse diálogo e com outros órgãos da sociedade, públicos ou privados, incluindo o Governo, a Presidência da República e outros órgãos de soberania.

Os objectivos do movimento popular de indignação e revolta não são a tomada do poder ou a governação. Entendemos que os pobres e necessitados têm o direito e o dever de manifestar com firmeza a sua indignação e revolta mas não têm quaisquer intenções de gerir ou governar o país, gestão para a qual não estão e não se sentem qualificados. Os pobres são pobres porque em grande parte foram preparados para ser pobres desde crianças. Não se pode pois pegar num pobre e transformá-lo num governante ou num gestôr. No dia seguinte o país ficaria ainda mais carenciado.
Os pobres e necessitados o que podem fazer e melhor do que os outros, é levarem a sua indignação e revolta ao rubro e exigir que o Governo, a Presidência da República, os partidos políticos, cumpram com as suas promessas eleitorais, as quais falam sempre em seu nome. Trata-se pois para o movimento de indignação e revolta popular, de exigir o cumprimento das promesas e garantias eleitorais.
Se assim fôr os pobres e necessitados passarão a viver melhor e de uma forma mais digna. Estes pois os objectivos centrais do movimento.
A governação e a gestão dos organismos estatais têm pessoas mais qualificadas do que o movimento dos pobres e mais necessitados. O que importa pois não é tirá-las de lá mas pô-las a trabalhar de acordo com as promessas eleitorais feitas pelos partidos nas campanhas eleitorais. Isto é, dar-lhes a oportunidade e o alento para gerirem o governo e as instituições do Estado em consonância com a própria Constituição.
Se para tal fôr necessário mudar a Constituição ou mudar as leis para favorecer os mais pobres, seja com impostos sobre os maiores rendimentos, seja com uma maior flexibilidade das leis laborais (portanto contra a estratificação laboral imposta pelos sindicatos), seja com uma redução das taxas de juro ao nível zero visando as empresas com maiores encargos na área do investimento, o movimento de indignação e revolta popular deve apoiar essas iniciativas reformistas, vigiando a sua aplicação de uma forma regular e contínua.

Atingidos estes objectivos o CPRPP não terá quaisquer razões para existir e será extinto imediatamente.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home