O PCP, a Classe Operária no Paraíso

Blog destinado a revelar e sempre que possível a evidenciar as virtudes dos dirigentes e chefes da classe operária portuguesa e a promover a ascensão da mesma ao Paraíso, lugar por determinismo e vocação, onde moram todas as revoluções e em especial as desencadeadas em nome dos superiores interesses das classes mais oprimidas.

Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005

As nossas desculpas



Quando os olhos não se recusam a ver, as coisas parecem mais autênticas.

Erradamente convictos de que a ascensão de Jerónimo de Sousa representaria um endurecimento do Partido Comunista e uma viragem para uma estratégia mais ortodoxa, temos agora de convir que nos enganámos profundamente. Apesar de discordarmos da linha deste Partido e da sua ortodoxia relativamente à interpretação do Marxismo e da própria experiência dos partidos revolucionários ou comunistas ao longo de mais de 80 anos, devemos confessar o nosso erro de reflexão e análise (um certo parti-pris que veio a revelar-se no mínimo precipitado), face à postura revelada por Jerónimo de Sousa ao longo dos últimos meses e nomeadamente na campanha eleitoral. É a primeira vez que vemos um dirigente comunista na noite das eleições e apesar de ter subido alguns pontos eleitorais, vir admitir que o PCP tinha ficado aquém de alguns dos seus objectivos. Pela primeira vez assistimos a um dirigente comunista inscrever com humildade e algum sentimento, o gesto franco de dizer "não ganhámos assim tanto" apesar do facto de efectivamente de o terem feito.

Tenho na família um velho comunista operário da mesma cepa (quase um pai), e apesar de não o ver há vários anos, tenho a certeza de que estará a rever-se no próprio Jerónimo de Sousa, ele também humilde e franco apesar da importância do seu nome e do seu combate na resistência ao Fascismo (o seu nome está aliás na lista dos "famosos" detidos pela PIDE).

Continuo a pensar que há certamente uma alternativa ao actual PCP (e até dentro do mesmo), mas não tenho quaisquer ilusões que essa alternativa seja a arrrogância totalitária do BE (maoísta e estalinista, completamente anti-trotzkista até), e de alguns dos seus dirigentes, nomeadamente Fernando Rosas e Francisco Louça (Miguel Portas tem um outro rosto na verdade mais genuíno). Já tive oprotunidade de os ver em "acção" quando confrontados frontalmente com um argumentário crítico às suas visões escatológicas de uma "esquerda moderna ao serviço dos trabalhadores".

Qualquer alternativa porém tem de passar pelo gesto humilde e franco (afinal verdadeiramente operário), que Jerónimo de Sousa tem manifestamente revelado (e sem truques), mesmo que essa alternativa venha a ser disputada contra o próprio. Ou quem sabe, talvez não.

1 Comments:

At 2:42 PM, DEUScronio said...

Acompanhei este blog quase desde o seu inicio. Depressa comecei a notar um Ódio que não fazia nenhum sentido, vindo de alguem que se afirma de esquerda. Nem os CDSs ou PNRs conseguiriam ir tão longe.

Mas felizmente a Razão vence sempre, e embora este pedido de desculpas públicas não apague o passado recente, acho que é das atitudes mais nobres dos seres humanos é conseguirem reconhecer os seus erros.

Por isso para mim (que não sou ninguem importante, apenas um leitor deste blog) elas vão ser tidas em conta.

 

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