O PCP, a Classe Operária no Paraíso

Blog destinado a revelar e sempre que possível a evidenciar as virtudes dos dirigentes e chefes da classe operária portuguesa e a promover a ascensão da mesma ao Paraíso, lugar por determinismo e vocação, onde moram todas as revoluções e em especial as desencadeadas em nome dos superiores interesses das classes mais oprimidas.

Quinta-feira, Dezembro 23, 2004



O Natal pode ser burguês mas é porreiro!


Um bom Natal para todos, burgueses e operários e os que estão no meio que são a maioria esmagadora. A todos, humanamente vos saúdo!
Aos reaccionários, de esquerda ou de direita, estalinistas ou neo-liberais, aproveitem para ler a Natália, o Fielding ou o Cesariny. Se puderem, claro!.




Domingo, Dezembro 19, 2004



Jerónimo quer dançar o pimba com Sócrates




Após o "peso da evidência" largament demonstrado pelos dotes teatrais da celebérrima actriz Odete Santos (qual Margo em "All About Eve"), é agora a vez de Jerónimo apresentar o seu número de dança com Pimba e Orquestra Filarmónica de Colectividade Popular e Recreativa, Cooperativa Ca.

E começa bem. O primeiro convite foi directamente a Sócrates para que contasse com o Partido Estalinista (mas sem cedências à direita, avisou logo), na formação de um próximo Governo.
O Bloco ou BE (cujo Secretário-Geral do Comité Central do Operariado em Armas, tem mais votos nas sondagens do que os votos do próprio partido, o que significa que devia ir sózinho às eleições), também quer ajudar a formar Governo ou pelo menos viabilizar um governo de Sócrates se este estiver aflito com a aprovação do Orçamento e em outras situações semelhantes. Nós achamos bem. Assim deverá ser... tudo para bem do país e sobretudo da sua (nossa) economia. Ficamos muito mais pobres mas ao menos teremos mais alegria nas ruas, mais animação e trabalhamos um pouco menos. Valha-nos isso.

Mas Sócrates é que está a fazer todos os possíveis para não precisar de dançar o pimba com o Jerónimo ou a salsa cubana com o Fernando Rosas. Sabe muito melhor do que nós que se vier um dia a dançar com eles, o país dançará alegremente mas apenas em calções e se um dia perder de novo as eleições então é que só volta ao Governo quando os homens estiverem em ossadas no "Museum of Man" em Londres.
Por isso Sócrates prefere para já não aceitar o convite para dançar. Logo se verá, queridos companheiros da esquerdas...assim deve estar a pensar. "Não prometo nada".

Jerónimo é que não perdeu tempo e prontificou-se logo a fazer a diferença com o anterior Secretário-Geral do Proletariado Pobre e Oprimido - enquanto este último não falava sequer de ir para o Governo, Jerónimo despachou logo uma das principais aspirações do Partido Estalinista - ir para o poder a todo o custo. Sabendo contudo que o operariado está cada vez mais nas mãos das multinacionais e prefere a coca-cola e as cervejolas com caracóis na esplanada da esquina, aos objectivos gloriosos do Partido Proletário e da Revolução Internacional, tratou logo de ver uma oportunidade de ir para lá como muleta do PS. Aliás é a única forma possível, pensou Jerónimo. "Se não fôr assim nunca mais para lá vamos!". E assim pensando, olhando para o lado e não vendo nenhum operário disposto a erguer os punhos contra o sistema capitalista, Jerónimo faz a diferença ao inisistir na formação de um governo com os socialistas. Um ou dois ministros, pelo menos! Mas sem cedências à direita! acrescenta. O que convenhamos é muito difícil, dizemos nós.


Terça-feira, Dezembro 14, 2004



Situação política da classe operária (algumas notas)




Há pelo menos dois séculos que a classe operária confia cegamente nos seus "representantes" sindicais e partidários (aliás são quase sempre os mesmos num lado e noutro), sem ela própria conseguir conceber que o mais importante para a sua própria autonomia e libertação seria, em primeiro lugar, libertar-se deles e criar os seus próprios movimentos e associações, tendo sempre o cuidado de não deixar no cargo e por muito tempo mesmo aqueles que considerasse, entre todos, os seus melhores.
A principal falência dos movimentos operários, nacionais ou internacionais, foi o ter confiado os seus destinos a uns quantos representantes e dirigentes, intelectual e mesmo políticamente empedernidos, os quais tão pouco criaram as condições para a sua própria substituição (bem pelo contrário).

Sem dúvida que existe uma clara diferença entre a situação da classe operária no início da Revolução Industrial e a presente, e que tal se deveu à luta verdadeiramente emancipadora dos movimentos sindicais e de classe então criados. Ou seja, deveu-se aos marxistas e aos primeiros movimentos libertários e anarco-sindicalistas, não aos estalinistas que vieram muito depois e conseguiram este feito histórico - enclausurar o movimento operário numa ideologia ela própria redutora e negadora da dialéctica em que diz basear-se, ela própria insensível às adaptações e correcções face às diferentes épocas e às exigências impostas pelas mesmas.

Hábilmente os "dirigentes" operários estalinistas conseguiram amarrar o movimento sindical operário e proletário em geral, aos objectivos fundamentais da classe burguesa e da pequena burguesia e nomeadamente dos seus partidos principais - a alienação e pacificação do próprio movimento revolucionário (1). O parlamento burguês passou a ser não uma tribuna para levantar a voz dos trabalhadores e erguê-la contra os interesses de quem fica sistemáticamente com a mais-valia do seu trabalho, mas apenas para ter uma voz no próprio sistema político democrático-burguês, nas instituições burguesas. Aqueles que, nos inícios do golpe democrático e verdadeiramente revolucionário do 25 de Abril, ainda ergueram a voz da classe operária dentro do Parlamento, (embora o fizessem de uma forma ainda desgarrada e algo histérica - caso de Acácio Barreiros ele próprio convertido mais tarde em deputado de um dos partidos da burguesia, o PS), eram imediatamente acusados pelo partido estalinista, o PCP, de serem perigosos esquerdistas ou anarquistas, inimigos portanto da classe operária.

É obvio para quem nos acompanhe sériamente que nós não defendemos nem o tom agressivo e desgarrado de certas intervenções anti-burguesas, no estilo que caracterizava Acácio Barreiros nem a arruaça populista pseudo-revolucionária que geralmente rima o pão com o patrão. Por outro lado, é absolutamente dispensável ser mal educado ou grosseiro, gritar desgarradamente ou ofender os deputados burgueses para levar ao Parlamento aquilo que são as aspirações e as preocupações do movimento operário. O "segredo" não está aí mas sim na inteligência e no conhecimento dos representantes operários (e da classe operária em geral), na sua capacidade de estar atento àquilo que são as novas exigências de uma sociedade em constante mutação (mesmo que essa mutação seja em grande parte devida ao poder burguês dominante e não às "conquistas" progressistas). Na sua capacidade de ser inovador e criativo, propondo aos trabalhadores objectivos claros de emancipação real pela via da emancipação económica mas também política, cultural e até moral (não nos esqueçamos que a moral operária é apenas uma reprodução fidelíssima da moral burguesa e reaccionária, a moral decretada pelas suas várias "confrarias" e clubes religiosos, sociais e culturais).

Os actuais representantes do movimento operário são tudo menos pessoas votadas ao conhecimento e à sua própria formação humana e cultural. Aquilo que reproduzem para os trabalhadores são noções primárias e sub-culturais ("a luta continua, o governo para a rua!" é um dos slogans preferidos e este dá bem conta da situação cultural do movimento operário actual e dos seus "representantes") - não noções e ideias de vanguarda.
A situação geral da classe operária, com todos os seus gostos, tendências pequeno-burguesas, pequenas mitologias e sub-culturas de toda a ordem, assemelha-se a uma sociedade sub-desevolvida, e se nesta não há filas de racionamento e uma recessão total, tal se deve ainda ao facto de ser a burguesia e os mecanismos de "exploração" burguesa a dominarem e não a classe operária (esta que temos).
À sociedade de abundância proposta pelos "velhos" marxistas ("de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades", recordam-se?), optou-se pela satisfação primária das "necessidades" criadas pela sociedade de consumo e do espectáculo, sociedade esta criada pela burguesia e sustentada pelos seus principais partidos e instituições. E é neste quadro que os "representantes" operários jogam, sem nunca irem ao fundo das questões e sem nunca propôrem uma verdadeira alternativa quer ao modelo económico burguês, quer à suas instituições políticas, sociais e culturais.
Até porque a que tinham antes jogaram-na fora.

(1) Note-se que, quando falamos em revolução não queremos necessáriamente dizer nacionalização ou estatização dos meios de produção, poder de partido único, a pasta de dentes única, etc., queremos dizer movimento em permanente mutação, isto é, verdadeiramente transformador e libertário, combinando aquilo que os surrealistas definiram numa aspiração central - Mudar a Vida, tranformar o Mundo.

P.S. Não creio que sirvam de exemplo a "linha cultural" e as propostas culturais apresentadas pelas autarquias dominadas pelo partido estalinista. Estas são exactamente a reprodução do que é o poder burguês nas autarquias e nas instituições políticas que domina. Não há qualquer diferença de fundo. Uns colocam o António Aleixo ou o Saramago nas bancas, os outros colocam o André Gide ou a Agustina Bessa Luís.
Dostoievsky, Kafka, Rimbaud ou Cesariny é que estão sempre ausentes.


Quarta-feira, Dezembro 08, 2004


O que é a vanguarda da classe operária?




Em primeiro lugar e dizemo-lo sem hesitações, não existe vanguarda da classe operária coisa alguma. Para haver vanguarda é preciso que haja uma dianteira, alguém que se distinga por estar adiante nos princípios, nas formulações políticas mas também culturais, nas ideias e nas práticas. Não basta dizer que se é. Se assim fosse qualquer que fosse a sua proveniência e até origem de classe, podia colocar-se à frente de um grupo de operários e chamar-se vanguarda.
A vanguarda é uma coisa mais complicada (complicação que começa logo porque é necessário estudar, aprender aprender sempre!), e sobretudo exige esse espírito adiante dos outros, alguns palmos pelo menos à frente do "respirar" dos operários comuns, a maioria dos que trabalham na fábrica e mal têem tempo (nem concedem que haja outro), para jogar aos matraquilhos quanto mais estudar as teses de Marx, Engels ou Lenine, pegar nelas e noutros autores de cultura, e partir para o combate contra a burguesia exploradora.

É preciso notar que a burguesia exploradora é também a mais capaz e a única com ideias de vanguarda (aliás todos os movimentos de vanguarda não nasceram na classe operária pois esta, como disse atrás esteve sempre distraída a jogar à malha ou aos matrquilhos e hoje é a que enche os estádios de futebol das divisões secundárias e a que vê principalmente as telenovelas).
Para que o operariado estivesse bem representado ou tivesse uma vanguarda era preciso que esta fosse tão formada e consciente política, social e culturalmente quanto o é a burguesia. O pensamento da burguesa é o dominante não apenas porque domina mas porque é o único práticamente existente. O operariado tem uma ideologia - o marxismo mas só herdou dela a parte que tem a ver com a luta continua, isto é a luta pela subsistência. Depois da luta parar um pouco e haver necessidade de formar um governo, a "luta continua" já não dá para fazer mais nada a não ser ocupar os campos e as fábricas e arruinar tudo à passagem.
Para que a classe operária tivesse realmente uma ideologia de vanguarda e fizesse uso dela consequentemente seria preciso que a estudasse bem e não a confiasse apenas a uma parte de "eruditos" pequeno-burgueses e operários tacanhos, os quais se conduzem ao Poder mas o mesmo que tem a burguesia, isto é, ficam dentro do sistema a dizer o oposto e nada mais. Entretanto a classe operária vai ficando na mesma, isto é, nem alcança poder algum nem se liberta da exploração de que é vítima ou diz ser.

Os "partidos da classe operária" (pois são vários), apenas tiveram a manha de se apropriar da ideologia marxista fazendo da mesma um instrumento para não mudar senão a sua posição nas estruturas do Poder. As centrais sindicais formaram-se incialmente com outro objectivo ams depois seguiram também o caminho dos partidos "marxistas", isto é, alcançar uma fatia importante do poder.

Não foi por acaso que os partidos burgueses e pequeno-burgueses, viram com agrado a escolha de Jerónimo de Sousa e não houve sequer qualquer discussão séria por parte destes partidos sobre as opções do lado da "classe operária". Tudo seria diferente se a escolha fosse por um intelectual como José Saramago, Barata Moura ou outro. Os partidos burgueses teriam tudo a recear se a "classe operária" tivesse na sua vanguarda, não um operário duro e limitado, estreito em relação ao seu conhecimento do Marxismo, mas alguém que pudesse encetar uma discussão profunda sobre os novos rumos a seguir no cambate contra o capitalismo e a tal burguesia exploradora. Com uma personalidade desse tipo à frente dos destinos do partido da classe operária a burguesia teria finalmente um opositor sério e esclarecido e teria todas as razões para recear.
Não tendo sido assim, a classe operária bem pode esperar mais dois ou três séculos e contentar-se em ter alguns dos seus "representantes" (mas não a vanguarda), nos parlamentos burgueses, a dizer não sistemáticamente às leis burguesas mas sim à sua continuidade nos lugares que a aquela lhe atribue cínica mas também inteligentemente.
Para ficarem quietos e repetirem sempre o memso refrão.


Quinta-feira, Dezembro 02, 2004



Os estalinistas e os leitores de cassettes




Dada a evolução dos meios de gravação e reprodução de dados, a maioria dos partidos modernos optou pelos leitores de CD, CD-ROM e mais recentemente de DVD. Ainda há pouco vimos nas televisões, alguns responsáveis do Governo e da Assembleia da República segurando vários CD-ROMs (ou seriam já DVDs?), que supostamente continham a proposta de Orçamento de Estado para 2005.

E o que fez entretanto o Partido Estalinista?
Na era digital e de avanço dos referidos meios, o PCP continua a optar pelo velhíssimo leitor de cassettes, preferencialmente aquele que reproduz em mono, já que o formato stereo (na opinião dos seus gurus), também encerraria alguns riscos dado que este formato tem a tendência para se reproduzir através de duas saídas de audio, ou seja, algo ainda demasiado arriscado para quem entende que o partido deve exclusivamente falar a uma só voz.
Para que o formato stereo funcionasse em pleno seria necessário que o próprio Secretário-Geral, o Chefe do Partido, (o que não é o caso), tivesse uma voz que ao ser reproduzida separasse os agudos e os graves em duas saídas de audio diferentes. Deste modo os riscos de saírem não uma mas pelo menos duas vozes diferentes, seriam bastante diminuídos.

A monocordia do PCP resulta também desse aspecto importante, isto é, o som reproduzido, quer em reuniões "magnas", quer em Congressos, é um som único e dito a uma voz. Mesmo que existam várias vozes, as mesmas passam por um "chip" que as transforma numa voz única e uniforme que é aquela que os delegados ou os militantes ouvem nas reuniões, nos comícios ou nos congressos.
O camarada Filipe ou o camarada Namora podem falar até ao mesmo tempo ou em discursos diferentes e separados no tempo mas a voz que os militantes estalinistas escutam nos seus ouvidos, é a voz única e exclusiva do Chefe.
Por exemplo o Pedro Namora teria chamado "palhaço" a Lopes Guerreiro no exterior do Congresso, mas a voz que lhe saiu da boca era a de Jerónimo, isto é, era a mesma que se ouvia lá dentro a ler o discurso final.
Outro exemplo: Octávio Teixeira pode falar de economia e tecer considerações sobre o Orçamento de Estado. Tudo bem. Mas a voz dele é a mesma de Jerónimo. Não se distinguem. A voz de Octávio Teixeira distingue-se menos porque se silencia ainda mais. Durante o Congresso lá estava quedo e silencioso, o queixo na mão poisado.

O PCP (a quem o Jumento chama sábiamente "o partido bunker"), não precisa pois de grandes tecnologias ou evoluções para garantir que essa voz exclusiva e única passe para os militantes. Um pequeno leitor mono, dos cinzentos e rectangulares que se vendem nas feiras, dá perfeitamente bem e cumpre a tarefa. O importante é que o aparelhozinho esteja em boas condições de reprodução e haja gente na expectativa de o ligar. E há.

Daqui a duzentos anos, as coisas não mudarão. Alguém encontrará o leitor de cassettes enterrado algures por entre camadas de poeira e calcário (a chamada Poeira do Tempo), pegará no dito e carregará na tecla








Aprofundar a democracia interna?




Recentemente, no último Congresso do Partido Estalinista, o companheiro autarca Lopes Guerreiro elevou a sua voz naquele areópago para falar na necessidade de aprofundamento da democracia interna do partido.
O autarca do Alvito é certamente um daqueles generosos comunistas que ainda restam (restarão ainda muitos?), cuja ingenuidade natural (eu não diria cinismo como Vital Moreira insinua), vai ao ponto de imaginar um partido como o PCP a aprofundar coisa alguma e sobretudo a democracia interna.
Ora se o PCP ou qualquer partido estalinista já não aprofunda nas suas análises nem nem seus gostos (sabe-se quanto aprecia a música pimba e só se serve da outra para decorar os cenários e atrair os jovens - Ah. como os jovens se sentem atraídos pelo Partido Estalinista se este lhes der e gratuitamente um pouco de folclore rockeiro ou um pouco de pop "intervencionista"), porque razão iria aprofundar na democracia interna?

Quer a profundidade própriamente dita (a que causa vertigens), quer a de campo (a qual exige vistas mais largas), são coisas práticamente inacessíveis à maioria esmagadora quer dos membros "superiores" do Partido, quer da grande maioria dos delegados ao Congresso (e eu estive lá durante muitos anos e sei como essas coisas se faziam e fazem).
Diria mesmo que a profundidade é algo que o Partido Estalinista não concebe, nem mesmo no salto em comprimento.

Se Lopes Guerreiro e outros no partido querem ver aprodundada a democracia interna do Partido Estalinista, têm em primeiro lugar de ter democratas. Comunistas mas em primeiro lugar têm de ser democratas. Ora são precisamente estes que estão e estarão sempre em minoria. A única hipótese para aprofundar a democracia interna seria com estes o que equivale a dizer que só com um processo conspirativo isso é possível. Conspirar contra uma ditadura interna não é crime, a própria Constituição devia salvaguardar o próprio direito de conspiração em caso de partidos que não respeitassem as regras de democracia interna (não sei se lá está ou não, mas duvido que esteja).
Portanto a solução teria de passar por chamar os democratas que ainda existem no partido e os restantes (a maioria esmagadora) ficava de fora. Aliás estes ficariam bem do lado de fora, pois não precisam de ser consultados, o Chefe sabe sempre tudo por eles.

Também há uma hipótese (embora remota) dos democratas serem chamados a aprofundar algo no partido e não aparecer ninguém. Ficarem (como ficaram no Congresso), os comunistas democratas totalmente sózinhos e a porta ficar fechada, não surgir ninguém a querer aprofundar coisa alguma. É também uma hipótese a considerar.
Mas neste caso não restaria aos comunistas (aos que não estão presos à trela do Chefe), senão fazer a refundação do partido ou criar um verdadeiramente comunista (ou seja com tanto de democrata como de revolucionário), e deixar os outros (os totalitários) do outro lado da porta.


Quarta-feira, Dezembro 01, 2004



Ouviste alguma coisa camarada?




E a resposta surgiu mais à frente. "Eu não ouvi absolutamente nada, camarada Secretário-Geral!!.

E foi assim quando Lopes Guerreiro falou. Como em todas as situações em que um comunista fala para um grupo de estalinistas reunidos em assembleia, Lopes Guerreiro parecia um foragido, um vindo de algures a falar uma linguagem estranha e que ninguém entendia.
E a falar aos camaradas de modernização, de correcções, aprofundamentos, actualizações!. O hereje!
Vá lá ouçam-no, ouçam-no dizer bem alto, gritando aos ouvidos daqueles alucinados (quase todos alinhados já depois da lobotomia, ao menos valha-nos isso!):

As teorias de Marx, Engels e Lénine estão sujeitas às correcções, aos aprofundamentos e às actualizações que ao longo do tempo a evolução e as mudanças políticas, económicas e sociais, o progresso científico e a experiência revolucionária necessariamente impõem".


Que acto de sacrilégio e heterodoxia para aquela assembleia de coxos do espírito!. Se o Espírito sopra onde quer (como reescreveu um dia Ernesto Sampaio), então é porque naqueles dias esteve muito distante de Almada e se algum ar passou por aquele areópago funesto foi certamente o de algum traque vindo dos velhos ocupantes da Transilvânia. Estão lá há séculos.
E vão continuar.

E ainda se pretende mudar o imutável?