O PCP, a Classe Operária no Paraíso

Blog destinado a revelar e sempre que possível a evidenciar as virtudes dos dirigentes e chefes da classe operária portuguesa e a promover a ascensão da mesma ao Paraíso, lugar por determinismo e vocação, onde moram todas as revoluções e em especial as desencadeadas em nome dos superiores interesses das classes mais oprimidas.

Quinta-feira, Dezembro 02, 2004



Os estalinistas e os leitores de cassettes




Dada a evolução dos meios de gravação e reprodução de dados, a maioria dos partidos modernos optou pelos leitores de CD, CD-ROM e mais recentemente de DVD. Ainda há pouco vimos nas televisões, alguns responsáveis do Governo e da Assembleia da República segurando vários CD-ROMs (ou seriam já DVDs?), que supostamente continham a proposta de Orçamento de Estado para 2005.

E o que fez entretanto o Partido Estalinista?
Na era digital e de avanço dos referidos meios, o PCP continua a optar pelo velhíssimo leitor de cassettes, preferencialmente aquele que reproduz em mono, já que o formato stereo (na opinião dos seus gurus), também encerraria alguns riscos dado que este formato tem a tendência para se reproduzir através de duas saídas de audio, ou seja, algo ainda demasiado arriscado para quem entende que o partido deve exclusivamente falar a uma só voz.
Para que o formato stereo funcionasse em pleno seria necessário que o próprio Secretário-Geral, o Chefe do Partido, (o que não é o caso), tivesse uma voz que ao ser reproduzida separasse os agudos e os graves em duas saídas de audio diferentes. Deste modo os riscos de saírem não uma mas pelo menos duas vozes diferentes, seriam bastante diminuídos.

A monocordia do PCP resulta também desse aspecto importante, isto é, o som reproduzido, quer em reuniões "magnas", quer em Congressos, é um som único e dito a uma voz. Mesmo que existam várias vozes, as mesmas passam por um "chip" que as transforma numa voz única e uniforme que é aquela que os delegados ou os militantes ouvem nas reuniões, nos comícios ou nos congressos.
O camarada Filipe ou o camarada Namora podem falar até ao mesmo tempo ou em discursos diferentes e separados no tempo mas a voz que os militantes estalinistas escutam nos seus ouvidos, é a voz única e exclusiva do Chefe.
Por exemplo o Pedro Namora teria chamado "palhaço" a Lopes Guerreiro no exterior do Congresso, mas a voz que lhe saiu da boca era a de Jerónimo, isto é, era a mesma que se ouvia lá dentro a ler o discurso final.
Outro exemplo: Octávio Teixeira pode falar de economia e tecer considerações sobre o Orçamento de Estado. Tudo bem. Mas a voz dele é a mesma de Jerónimo. Não se distinguem. A voz de Octávio Teixeira distingue-se menos porque se silencia ainda mais. Durante o Congresso lá estava quedo e silencioso, o queixo na mão poisado.

O PCP (a quem o Jumento chama sábiamente "o partido bunker"), não precisa pois de grandes tecnologias ou evoluções para garantir que essa voz exclusiva e única passe para os militantes. Um pequeno leitor mono, dos cinzentos e rectangulares que se vendem nas feiras, dá perfeitamente bem e cumpre a tarefa. O importante é que o aparelhozinho esteja em boas condições de reprodução e haja gente na expectativa de o ligar. E há.

Daqui a duzentos anos, as coisas não mudarão. Alguém encontrará o leitor de cassettes enterrado algures por entre camadas de poeira e calcário (a chamada Poeira do Tempo), pegará no dito e carregará na tecla






2 Comments:

At 2:49 PM, randomblog said...

Este blog é para quê? E para quem?

 
At 11:27 AM, C. said...

Eu próprio que sou o autor não sei bem. Esqueci-me de trazer a cassette!. Desculpe pois.

 

Post a Comment

<< Home