O PCP, a Classe Operária no Paraíso

Blog destinado a revelar e sempre que possível a evidenciar as virtudes dos dirigentes e chefes da classe operária portuguesa e a promover a ascensão da mesma ao Paraíso, lugar por determinismo e vocação, onde moram todas as revoluções e em especial as desencadeadas em nome dos superiores interesses das classes mais oprimidas.

Terça-feira, Novembro 23, 2004



Mudar ou não mudar



O receio maior dos partidos do Poder e do próprio Partido Socialista e Bloco de Esquerda seria a escolha de um Carvalho da Silva, considerado por muitos como menos ortodoxo e também com maior conhecimento dos "dossiers". Carvalho da Silva provávelmente adoptaria uma táctica mais abrangente, tentando ir buscar apoios em todos os sectores da sociedade e em especial junto das classes trabalhadoras, operárias e não. Todos os partidos ficaram pois satisfeitos com a opção do CC por Jerónimo pois este a ir buscar apoios será junto dos sectores mais sectários fazendo o partido atingir a barreira dos 3% para baixo e ficando assim ao nível de outros partidos "comunistas" europeus.

Claro que essa escolha cabe aos militantes mas isso não nos tira o direito de ter uma opinião já que não existe um monopólio do saber e muito menos no que respeita ao discutirmos o que verdadeiramente interessa à classe operária e aos proletários portugueses, nos quais enquanto assalariados nos integramos. Em nosso entender já teria chegado o tempo do Partido Comunista escolher (ou melhor dizendo, votar secretamente), o nome de alguém da esfera das artes ou das letras (e o partido tem alguns membros influentes nessa área), e não alguém que vai repetir exactamente os mesmos erros de análise e de táctica que tiveram os secretários-gerais anteriores.
Alguém que seja capaz de fazer uma autocrítica quando esta tem sentido, em vez de a calar. Alguém capaz, por exemplo, de abordar os vários temas sociais e políticos sem quaquer tabu ou hesitação, incluindo a arbtrariedade das prisões políticas em Cuba, a democracia directa na eleição dos delegados ao Congresso e outras. Alguém capaz de chmar os bois pelos nomes e ir ao fundo dos problemas em vez de ficar nos slogans habituais.

Um alguém como esse certamente levaria o partido para uma nova fase do seu combate contra as forças de direita e neo-liberais e contra o sistema capitalista, recolocando ao mesmo tempo questões práticamente abandonadas - nomeadamente a de se saber se o Comunismo é ainda um ideal e se vale a pena lutar por ele ou se pelo contrário é parte da essência do mesmo, produzir os erros e os desvios que foram produzidos ao longo de décadas de poder.

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