O Tim dos blogs
Centro Cool Tural e
Bancada Par(a)lamentar
, deixou-nos um comentário que agradecemos pelo seu contributo para a discussão da questão das alternativas.
Transcrevemos aqui algumas passagens do seu comentário:
"...Santana Lopes não tinha condições para ser Primeiro Ministro (está provado) e tenho certas dúvidas em relação a Sócrates. Terá que aproveitar a clara tendência de viragem à esquerda, no entanto promete avançar com a co-incineração, o que se compreende por uma questão de coerencia, mas que já custou ao PS as câmaras de Coimbra e Setúbal. Vitor Constancio, António Vitorino ou mesmo Jaime Gama parecem-me nomes que dão outra credibilidade. Jorge Coelho poderá vir a ser um bom líder dada sua capacidade de mobilizar massas mas perá que ser polido e o tempo encarregar-se-á de o fazer. Quanto a Ferro Rodrigues, penso que será dificil voltar ao topo. No PSD parece-me haver menos alternativas...".
Parece-me caro Tim que no PS (pelo menos na sua opinião), há mais alternativas. Eu também diria que sim não fossem as mesmas muito pouco credíveis ou mesmo irrealistas. Victor Constâncio pode ser excelente e é-o na governação do Banco de Portugal mas não daria certamente um bom primeiro ministro, cargo que é fundamentalmente mais político. Quanto a António Vitorino talvez seja a única alternativa credível depois de Sócrates. Já Jaime Gama não se sabe se hoje daria um bom primeiro-ministro. Não há meio de ter um projecto próprio ou pelo menos não se sabe dele. Além disso é Sócrates que é o candidato do PS, os outros são todas hipóteses para depois de Sócrates, se este falhar o que lhe auguramos desde já.
Sócrates não fará melhor que Santana embora tenha outras qualidades que este não revelou (pensávamos nós aqui que revelaria como PM as qualidades que teve como autarca da Figueira de Foz).
Jorge Coelho é que francamente não é hipótese nenhuma e lembra sempre um estalinista
frustrado, um indíviduo arrogante e que saiu do governo de Guterres para se livrar de um julgamento (o dele e de outros), aliás improvável aqui (o da Ponte de Entre-os-rios, tivesse sido o acidente nos Estados Unidos).
Concordo com o Tim que no PS há mais alternativas (até Manuel Alegre o é), mas são quase todas para deitar fora. No PSD há mais alternativas mas não aparecem ou guardam-se para outros confrontos.
Por outro lado a situação não é fácil para nenhum deles (e por isso e devido ao país que temos, é que Sócrates também falhará. Por outro lado a equipa que lhe aparece ao lado e que se senta nos jantares sucessivos que são organizados neste partido, fazem-nos lembrar outros tempos (maus).
Santana para nós falhou
apenas porque não teve o discernimento para não aceitar a "sugestão" do PR em Julho e não ter partido para eleições que ganharia com relativa facilidade, podendo a partir daí formar um governo mais sério, competente e credível (o próprio Mário Soares intuiu isso).
Há muito mais alternativas no PSD (Filipe Menezes, Marques Mendes, Cavaco, Manuela Ferreira Leite, Álvaro Barreto, João Salgueiro, Rui Rio, Deus Pinheiro, António Mexia e outros mais. Porém são também alternativas teóricas. Na realidade é Santana que reune o consenso dentro do partido e é sobre essa candidatura que os portugueses vão ter que se decidir e não em função daquilo que nos parece melhor para o país.
O que nós pensamos tem pouca relevância dentro dos partidos. E também não pode ser de outro modo, gostemos ou não das suas escolhas. Quem lá está protege-se das vozes incómodas e independentes mesmo quando estas vêm de dentro (como sucede no PSD com Pacheco Pereira por exemplo). No PS a situação é igual e nos partidos "revolucionários", a situação é muito pior do que nos partidos chamados burgueses. Ali nem sequer há alternativas, ou seja, só há uma, a do Chefe.
Por outro lado e nunca o esqueçamos: a sociedade que temos se calhar também não favorece o surgimento de outras pessoas, dos tais mais sérios e competentes. É uma sociedade com um alto grau de analfabetismo funcional e caminha para pior. Com pessoas iliteratas e sem grande formação humana, não é possível formar políticos dedicados a causas próprias quanto mais a causas comuns.
A situação dpaís é o espelho disso. Os políticos que temos (Santana por exemplo, Portas ou Bagão Felix), não são piores do que nós. São aquilo que podemos.
Obrigado Tim e Myrian. Escrevam sempre.
BOM ANO!