O Islamismo na Europa - Eurabia
Terça-feira, Janeiro 15, 2008
Resposta a alguns comentários
Para o João Moutinho que comparou o que se passou nos balcãs com a actual e bem presente ofensiva islamo-fascista: De facto tanto num caso como noutro são situações de lamentar. Não somos daqueles que justificam uns crimes por serem de menor expressão (como sucede com os media< e em especial com os generalistas, em que assunto a desenvolver é mesmo um forte sismo ou uma "invasão" americana. Consideramos que o que se passou nos Balcãs, de um lado e do outro, isto é, causado pela ofensiva dos islamistas fanáticos (que agora controlam praticamente o Kosovo através das suas máfias), mas também causado pelos sérvios fascistas e totalitários, é obrigatoriamente de denunciar e lamentar. Mas a comparação peca por pretender, em nosso entender, reduzir a questão a uma mera comparação com outros factos. Porque todos nos devem merecer atenção e uma tomada de posição firme. Para aqueles que um dia assistiram a um concerto de um conhecido jazista norte-americano nos "Concertos de Verão" da Gulbenkian, certamente se recordarão de uma voz que gritou por entre os espectadores em geral apáticos: "Viva Sarajevo". Até os músicos ficaram silenciosos, eles que tinham a obrigação ética de não silenciar o que se passava. Certamente que poriam os punhos no ar se se gritasse "Morra Bush ou "Abaixo Israel". Mas ninguém respondeu "Viva". Apenas o silêncio de quem cala perante as injustiças. Nesse ano Sarajevo estava cercada pelos fascistas sérvios. Apenas alguns intelectuais (e em Portugal ainda menos), tiveram a coragem de gritar em defesa das populações muçulmanas que ali viviam e eram sistemáticamente bombardeadas pelos fascistas do Radovan Karadžić. Nós fizemo-lo na altura própria, gritando o nosso protesto onde era políticamente incorrecto fazê-lo - um concerto de jazz em que a própria música geralmente tocada parece convidar à indiferença e ao egocentrismo. Como agora também nos achamos com alguma autoridade moral para o fazer, perante a ameaça islamo-fascista que vai estendendo os seus tentáculos por todos os continentes (agora e segundo o A verdade sobre o Islam, também sobre a América Latina, através do promissor "esquerdista" Hugo Chavez.
Ao fotógrafo brasileiro C.L., as nossas sinceras desculpas. Com efeito a foto tinha copyright e lamentávelmente não reparámos no facto. Tratando-se de uma foto do Carnaval brasileiro convencemo-nos (erradamente), de que se tratava de uma foto pública. Já a retirámos e uma vez mais as nossas desculpas.
Para o ombl do blog Osama Bin Laden - À descoberta da Verdade: Perdoe-nos não ter seguido a sua "recomendação" ou pedido para fazermos comentários no seu blog. Não se trata de qualquer processo "conspirativo" mas a verdade é que não o fazemos com nenhum blog. Não podemos referir aqui expressamente as razões mas creio que perceberá as mesmas sobretudo se ler o comantário de um membro da comunidade islâmica num conhecido blog português, no qual dizia saber quem era o autor do blog, etc. etc. Para bom entendedor.
Contudo iremos aqui comentar mais regularmente os seus "postings", bem como alguns dos comentários aos mesmos.
Para todos os que comentaram (ainda que nalguns casos não nos fosse possível publicar devido ao seu conteúdo ofensivo ou de carácter publicitário), o nosso profundo obrigado.
Quanto às críticas negativas (que também as tivemos e serão sempre benvindas se vierem para melhorar o conhecimento sobre os temas), também agradecemos e compreendemos. Falar do fascismo islâmico (e é disso que falamos e não do Islão), não é fácil resistir ao seu avanço e muito menos opôr-nos ao seu projecto totalitário, nos dias de hoje em que quase todos temos a cabeça a prémio, pois é cortando-a que alguns fanáticos do islamismo tentam impedir-nos de falar. Alguns apressadamente (de um lado e do outro, opondo-se ou "compreendendo" as razões da luta ensanguentada de incoentes por aprte dos islamitas reaccionários, têm por vezes a tendência para falar de religião ou das religiões, quando a questão é ideológica e política, a religião não está em causa. Se há coisas em que tanto o Islão como o Cristianismo e o Judaísmo têm comum é o facto de todas servirem apra alienar o homem, tendo embora todas aspectos positivos mas também e muitos negativos. A questão que nos opôe ou deve opôr ao islamismo totalitário e fascista, não é de ordem religiosa. Tal como se,lutou no passado contra a Inquisição (e não por ser religiosa porque muitos que a combateram até eram cristãos e católicos), e como se lutou contra o nazismo (que nos seus fundamentos também se inspoirou na religião e até no esoterismo), deve lutar-se hoje contra essa nova Inquisição chamada islamo-fascismo pois é disso que se trata e não de combater o Islão, no qual milhões de cidadãos com os mesmos direitos que nós acreditam e é nosso dever tentar compreender e respeitar.
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Domingo, Janeiro 07, 2007
Acertar contas com o Islão fascista

Isto não se vence com tanques e porta-aviões!

E isto muito menos!
Num recente artigo publicado no "New York Sun" (edição de 26/12/07), e oportunamente referido pelo Observatório da Jihad, Daniel Pipes questiona e questiona-se "Depois de vencer os fascistas e os comunistas, o Ocidente pode vencer os islamistas?".
E ao longo do seu artigo, Daniel Pipes vai comparando as capacidades político-militares daquilo a que chama "islamismo" (e nós preferimos chamar de islamofascismo, o que é algo bem diferente como todos sabemos), às capacidades político-militares daquilo a que todos chamamos, por defeito de qualquer coisa, "civilização ocidental". Neste quadro comparativo elaborado por Daniel Pipes, notável anti-jihadista, há porém um grave equívoco a assinalar: o autor parece recusar-se (por ora, claro), a integrar o islamismo dito radical ou fundamentalista na tipologia dos fascismos, ao lado do fascismo estalinista, do fascismo nazi, do fascismo salazarista, do fascismo das ditaduras militares apoiadas pelo seu país, os EUA, do fascismo falangista, etc. Daniel Pipes, como outros brilhantes analistas, esquece porém um elemento fundamental do fascismo: a sua componente totalitária, ditatorial. Não se trata do islamismo mas sim do fascismo islâmico, ou seja, do fascismo que emerge entre os islâmicos que acreditam não apenas na Jihad (que quer dizer guerra santa, entenda-se), mas fundamentalmente num poder mundial islâmico, dominado pela Sharia, a lei islâmica. Isto é algo de diferente do islamismo. O islamismo esteve séculos sem criar o mínimo problema de fundo ao Ocidente. Islamistas há em toda a parte, alguns poetas exceltnes, alguns músicos também excelentes, pessoas de excelência, povos islâmicos (como na Guiné, a antiga colónia portuguesa), que nunca ergueram o nome da Jihad contra o Ocidente. Não se trata pois de derrotar o islamismo porque esse é, tal como os ideiais ou as ideologias, indestrutível. Jerónimo de Sousa à frente de um Partido Comunista diferente do que era com Carlos Carvalhas, mostra claramente que o comunismo enquanto tal é indestrutível. Dizendo melhor e para que fique claro o que pensamos: não basta dizer que uma dada ideologia ou uma qualquer escatologia terminou ou está ultrapassada para que ela acaba de facto. Desde que haja um único ser no planeta (ou fora dele), que acredite nela é porque não terminou. Do que se trata não é de derrotar os ideiais ou mesmo as ideologias ou religiões mas sim o seu conteúdo totalitário ou ditatorial. Também o catolicismo já teve o seu período totalitário (a que hoje chamaríamos também de fascista), e então não se tratava de derrotar o catolicismo mas sim os fascistas que estavam na Inquisição e se serviam do mesmo para atacar os cidadãos mais livres. Não faz pois qualquer sentido falar em "derrotar o islamismo" mas sim em derrotar o islamismo fascista, o islamismo totalitário.
Daniel Pipes fala ainda nas várias possibildiades do "islamismo" sair vencedor desse confronto. E nós pensamos também que sim mas não pelas mesmas razões. Dando por adquirido que o Ocidente é mais forte militarmente, o fascismo islâmico não combate o Ocidente através de um potencial militar (ou mesmo nuclear, embora este vá servir numa fase posterior), mas sim através do número, e principalmente do "milagre" da multiplicação dos seres (islâmicos mas preferentemente fascistas, neste caso). É na regra da multiplicação que o islamismo fascista joga, ao contrário do que sucedeu com o fascismo germânico, o nazismo. Foi um político árabe do século XX que afirmou, "os árabes conquistarão o Ocidente através do ventre". E disse-o visionária e acertadamente. E basta ver o que sucede pela Europa, nos EUA, na Austrália, etc. para confirmar que isso é verdade. Aliás é a própria Al Qaeda que aconselha a emigração para os países europeus e de língua inglesa. Todos os anos os emigrantes árabes e islâmicos são na ordem dos milhões. Nenhuma ideologia totalitária anterior havia feito o mesmo. A conquista fazia-se através do Estado, em primeiro lugar pela propaganda junto das "massas populares" e depois pela ofensiva militar. Com o fascismo islâmico (que tem pouco a ver com a Jihad que é usada apenas como elemento mobilizador), passa-se o contrário: primeiro invade-se o Mundo através da emigração e da "inserção" (religiosa, política e social) e depois conquista-se o dito, se possível também militarmente mas no fundamental através da "integração" nas sociedades ocidentais adoptadas como espaço de dominação. O campo militar do islamismo fascista continuará a ser a utilização dos homens-bomba (1) e a ameaça nuclear sobre as grandes capitais europeias e sobre Israel. O fascismo islâmico não precisará de combater exteriormente a estrutura militar ocidental porque o fará por dentro, conquistando progressivamente os lugares de comando, os lugares no Senado e no congresso norte-americanos, as câmaras municipais, os parlamentos e as presidências dos diversos estados europeus.
O islamismo fascista não precisa de tanques nem de porta-aviões, do que precisa é de conquistar para o Islão as chefias da armada, do exército e da força área ocidentais, após ter conquistado pela religião e pela propaganda, a opinião pública e publicada ocidentais (que aliás em grande parte já conquistou, basta ver a censura imposta a quem tem a coragem de dizer o que pensa sobre essa vertente do Islão fascista e tentacular).
Tudo isto parece uma irrealidade, tal como a conquista da Europa por Hitler parecia sê-lo já que o seu poder militar era largamente inferior à França e Inglaterra. Mas seria bom que não se acreditasse muito nessa ficção sob pena de se virem a sacrificar muito mais vidas do que aquelas que pereceram na II Guerra Mundial. Muito mais.
Aqueles que dirigem a luta contra o islamismo e não contra a sua vertente totalitária e fascista, aqueles que acham que o Ocidente apenas enfrenta a Jihad e não um fascismo de grandes proporções, uma espécie de tsunami social e político, talvez o mais terrível e devatador que a história poderá vir a registar, não contribuem senão para aumentar a confusão e os mal entendidos generalizados sobre o inimigo com que deparamos e sobre a metodologia e forma de o combater.(2)
O fascismo islâmico tem de ser travado e liquidado(3), impedindo-o de circular e de concretizar os seus objectivos principais - a multiplicação dos seus membros no Ocidente através da emigração e da conquista dos media e de outras estruturas do poder político e económico democrático (nomeadamente também pela conquista de empresas que são estruturais). Bastaria que isso fosse feito e que as grandes corporações fossem proibidas (como sucede com Cuba, de uma forma discutível entenda-se), de negociar com os países que albergam e fomentam o islamismo fascista, para que se partissem so dentes deste gigante de barro. Não é pelo combate ao islamismo, o combate necessário é o que deve unir os povos contra o fascismo islâmico é o combate pela dignidade do homem e pela sua liberdade, independentemente da religião ou ideologia que confessem.
Esse combate sairá vencedor na medida em que não permitirmos que sejam os estados, mesmo os ocidentais e democráticos (incluindo o Vaticano), a assumir o papel principal nesse combate, deixando o movimento e a luta dos povos para segundo plano.
A capacidade organizativa do fascismo islâmico (não porque seja inteligente mas porque nós temos de facto alguns "tabus" como os que assinalou e bem Daniel Pipes), baseia-se sobretudo na ignorância e não no conhecimento, na estupidez (mesmo no campo ocidental) e na complacência dos governos e dos políticos ocidentais. Se formos estúpidos e idiotas como os dirigentes fascistas islâmicos pretendem que sejamos, certamente que nos derrotará com a maior das facilidades. Basta que cresça e se multiplique entre nós.
Notas:
(1) Não será preciso relembrar a multidão de suicidas que se oferecem aos milhares diáriamente e que serão sempre transformados em mísseis telecomandados contra o aparelho militar do Ocidente (mal preparado para enfrentar uma tal "estrutura" de combate, até pelas razões que Daniel Pipes refere como sendo as fraquezas ou na sua definição informática, os "bugs" do Ocidente: o pacifismo, o ódio de si mesmo e a presunção).
(2) Não vemos por exemplo (ao contrário do que sucedeu com o fascvismo germânico), como é que sonseguiremos unir as várias frentes da luta conta o fascismo islâmico se não o conseguimos identificar ou se incluímos o "islamismo" como o inimigo a combater. Seria o mesmo que para combatermos a Inquisição atacássemos os monges franciscanos ou mesmo alguns católicos confessos pelo simples facto de pertencerem à Igreja Católica. Também não vemos como é que se poderá liquidar a tal dita Jihad sem o concurso de milhões de islamitas e de muitos mais milhões de outras religiões ou ideologias, incluindo os comunistas, os socialistas, os centristas e os partidos ou movimentos da direita democrática.
(3) Não se pense que estejamos em desacordo com a presente ofensiva militar contra o fascismo islâmico no Afeganistão e no Iraque (apesar da nossa discordância com o julgamento farsa de Sadham e de outros erros cometidos pelas forças de coligação que combatem no Iraque e que, em nosso entender, favorecem o islamismo fascista), ou contra o combate anti-jihadista levado a cabo pelos israelitas, sionitas ou não sionitas. Vamos até mais longe: consideramos que essa ofensiva militar deve ser alargada ao Irão e a outros países. No entanto consideramos que essa ofensiva deve fazer-se com o apoio (nunca sob a dependência das Nações Unidas), dos povos dos diversos países, isto é, de todos aqueles que nos seus próprios países (em maioria ou minoria) combatem os regimes ditatoriais islâmicos ou os grupos fascistas islâmicos (como na Somália) que ameaçam tomar o poder.
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Sexta-feira, Janeiro 05, 2007
A farsa do julgamento de Sadham

(Um acto de barbárie e humilhação que devia envergonhar todos os democratas.)
Depois de escutarmos as análises e alguns comentários dos mais notórios da nossa medíocre comunicação social, concluímos que são raríssimos os casos em que se tenta ao menos ir ao fundo da questão sobre o acto bárbaro e humilhante que constituiu a execução de Sadham.
Na maior parte dos casos condena-se a execução mas não por razões políticas ou mesmo por razões jurídicas. Invoca-se a inoportunidade devido ao feriado religioso dos sunitas, invocam-se as condições em que decorreu a execução (a pressa em matar o ditador, as gravações feitas, a humilhação de Sadham no próprio local da execução), mas não se refere o mais importante - tudo isso ocorreu porque o chamado mundo ocidental e dito mais civilizado fez como Pilatos fez com Jesus, isto é, lavou dali as mãos, permitindo que a "justiça" iraquiana fizesse o que lhe apetecesse. Da direita à esquerda, poucos foram os que tiveram a coragem de denunciar este acto de barbárie feito apenas para agradar ao fascista islâmico Moktada Al Sadr. Todos ficámos agora a saber (embora já o suspeitássemos), que quer o tribunal que julgou Sadham, quero o próprio governo, são apenas marionetas daquele fascista que domina uma cidade inteira no Iraque, ele e as suas 7.000 milícias armadas (onde, segundo declarações dos próprios habitantes "nenhum americano que entre em Sadr City saira de lá com vida". Interessante, não?
E são estes fascistas que dominam afinal o governo iraquiano e que mandam matar apressadamente Sadham por razões de vendetta, não por razões políticas ou porque Moktada Al Sadr seja menos fascista do que era Sadham e o seu bando de facínoras.
Satisfeitos com a ligeireza das suas análises os comentadores ocidentais preferem silenciar o que está à vista de qualquer observador mais atento - chegado o julgamento a uma fase em que ficariam evidenciados os apoios ocidentais a Sadham, havia que permitir a sua execução, fechando os olhos às circunstâncias da mesma e ao facto de ser um inimigo dos americanos e da democracia ocidental, a conduzir os cordelinhos (Al Sadr).
Nós que aqui sempre manifestámos o nosso apoio a uma intervenção militar contra o Iraque (tal como a defendemos em relação ao Irão e a outros países que ameaçam a paz regional ou mundial), somos também os primeiros a reconhecer que este acto bárbaro representa um profundo revés na política ocidental e em particular americana em relação ao Iraque. O combate contra o fascismo ilsâmico, temo-lo dito várias vezes, não é em primeiro lugar dos estados (do americano ou doutro qualquer), mas sim dos cidadãos e em primeiro lugar dos cidadãos de cada país. Os estados devem acompanhar os movimentos dos povos e não o contrário como tem vindo a suceder.
A denúncia desse acto bárbaro e humilhante para os povos sunitas que foi a execução de Sadham sem que o seu julgamento decorresse até ao final de todas as acusações contra ele dirigidas, nada tem a ver com compaixão ou branqueamento do que foram os seus crimes. Esse argumetno é falacioso. Sadham podia vir a ser condenado à morte ou a prisão perpétua, isso não está em causa. O que está em causa é que andamos a defender o direito dos povos oprimidos à liberdade e à democracia e depois permitimos que tais actos bárbaros aconteçam (como aliás o que sucedeu na prisão de Abu Graib e que aqui também denunciámos).
É curioso que os mesmos analistas sempre tão prontos a justificar esta complacência ocidental perante a barbárie dos fascistas shiitas, não o façam com outros tiranos que escaraparam à justiça, nomeadamente os de direita. Ainda há pouco faleceu de "morte natural" um ditador sanguinário, o chileno Augusto Pinochet e bem se viu o esforço feito por alguns analistas ilustres da nossa praça, para não tocar nesta questão fundamental - os ditadores da direita fascista não são condenados à morte. Ora nestas questões e noutras, não se pode ter dois pesos e duas medidas. Ou a democracia é mesmo só para alguns e o que importa é disfarçar que esta existe para todos?
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Quinta-feira, Janeiro 04, 2007
O círculo prisioneiro do quadrado

A quadratura do círculo (ver nota 1) surpreeende-nos cada vez mais pela falta de argumentos de fundo que todos os seus intervenientes têm vindo a evidenciar de semana para semana.
De repente parece que todos se dão conta que nem mesmo o chamado "espírito crítico" é uma norma imperativa e que a dialéctica nem sequer existe, é uma invenção de algum filósofo literato. O unanimismo é quase confrangedor.
Chegados os três ao debate sobre a execução de Sadham, nenhum deles, repetimos, NENHUM DELES, teve a coragem de ir ao fundo do problema - A EXECUÇÃO DE SADHAM NÃO SERVE OS INTERESSES DOS ANTI-ISLAMOFASCISTAS e é uma oferta de bandeja ao Moktada al Sadr, o FASCISTA-MOR, o FURHER dos shiitas iraquianos mais fanáticos e reaccionários.
Nem Jorge Coelho, nem Lobo Xavier, nem o mais vivo espírito crítico da nossa análise política e a menos políticamente correcta, que dá pelo nome de Pacheco Pereira, foram ao fundo da questão - não se trata de ser um gesto de vergonha, trata-se de UMA TOTAL VIOLAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM. Não é porque o "homem" em questão seja um cidadão normal e impoluto mas é porque, ainda que sendo um ditador, tem direito a um julgamento democrático e próprio de um estado de direito. Dir-se-á como alguns fazem: "Well, mas Sadham era um ditador, ele também não respeitava esses direitos humanos...". Sim, isso é verdade e é conversa que ouvimos diáriamente na CNN, mas nós não somos esses bárbaros, não somos nem o Sadham nem o Moktada Al Sadr, somos cidadãos de um estado de direito e devemos bater-nos por tribunais justos e que concedam os mesmos direitos quer aos acusados, quer aos acusadores. E ponto final.
A "Quadratura do Círculo" ameaça pois tornar-se num simples quadrado com os três principais intervenientes encostados a um dos cantos como se estivessem prisioneiros dos seus próprios pensamentos e orientações (que muitas vezes não se sabe quais são, o "Gato Fedorento" tem aliás um rábula sobre isso).
Não é que haja muito melhor na sociedade portuguesa do que qualquer dos três ilustres comentadores, como não temos melhor na comédia do que Herman José e o Gato Fedorento. De facto não temos melhor. É o país que temos e os três da "Quadratura" deviam reflectir sobre isso. A bem do espírito crítico que tanto invocam.
Se eles são os melhores, então...
Notas:
(1) Este posting foi enviado a Pacheco Pereira na ausência de um endereço de email no blog da "Quadratura do Círculo". Antes estava lá o email do moderador, o do competente jornalista Carlos Andrade, mas o Sapo.pt tirou-o de lá e em vez disso aproveitou para fazer propoaganda dos seus serviços de uma forma miserabilista e mesquinha.
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Quarta-feira, Janeiro 03, 2007
A resposta à ditadura de Sadham não é a barbárie shiita
Não se trata de manifestar a mais pequena compaixão com um tirano mas simplesmente a de manifestar o nosso profundo protesto pela forma em que a mesma decorreu e sobretudo pelo processo jurídico que a antecedeu e que no mínimo que pode dizer-se sem receio de qualquer erro, é de que se tratou de uma farsa total.
Já aqui o dissemos, a interrupção do julgamento quando no mesmo se aprontava para depôr o antigo ministro dos negócios estrangeiros iraquianos, Tarek Aziz, é uma violação competa do direito internacional e dos direitos humanos à luz da Carta das Nações Unidas, a tal que muitos políticos e analistas "políticamente correctos" à esquerda e à direita, invocam sempre que lhes dá jeito.
Do que se tratou não foi a de julgar um regime tirânico nem mesmo o seu ditador. Do que se tratou foi precisamente a de servir os interesses de um grupo de fanáticos (o fascista Al Sadr e outros que o apoiam no próprio governo iraquiano), contra outros, os sunitas que apoiavam o regime de Sadham. Os regimes não se julgam desta forma e se queremos evitar ditaduras temos que dar todos os dados à opinião pública e não escondê-los. A continuação do julgamento de Sadham iria permitir revelar quem, em épocas anteriores, estaria por detrás de Sadham e do Partido Socialista Baas, quer na Europa, quer nos EUA. E isso iria certamente incomodar muita gente que agora se calou perante a iminência da execução do ex-ditador iraquiano. Note-se que não houve uma única voz do partido democrata americano a pronunciar-se claramente contra um julgamento tão anti-democrático como o que se realizou com Sadham. Pior que isso só mesmo o julgamento sumário.
De facto Sadham era um ditador mas também Pinochet o era e não foi entregue à justiça espanhola, conforme pedido do juiz Baltazar Garcón. Fidel também é um ditador e no entanto ninguém tem a coragem de o julgar pois toda a gente sabe bem quem o tem apoiado ao longo de décadas na Europa (e até nos EUA). Porquê então a execução apressada de Sadham? Porquê o envenamento de Milosevic quando este havia requerido ao tribunal internacional que chamasse Clinton e outros da Administração Americana a depôr, provando assim a toda a gente que o impedimento "a todo o custo" de uma autonomia completa do Kosovo tinha a luz verde da Casa Branca no tempo dos democratas. Quando Sarajevo estava cercada pelos fascistas de Karadzic porque é que os aviões da Nato não o bombardearam e preferiram mais tarde bombardear a Sérvia?
A mesma pergunta em relação a Sadham: porque é que os americanos e os europeus permitiram que Sadham continuasse no poder aquando da invasão da primeira guerra do golfo?
Também já o dissemos aqui e repetimo-lo: somos contra o fascismo islâmico e os dados que possuímos são largamente suficientes para nos levar a acreditar que existe um processo de islamização do Mundo levado a cabo pela Al Qaeda. Mas o que não estamos dispostos a apoiar, em nenhuma circunstância, é que este combate anti-islamofascista sirva de algum modo as grandes corporações e os grandes interesses ecnómicos ou de estratégia de dominação dos vários blocos políticos-militares, quer europeus, quer norte-americanos. Não estamos dispostos a apoiar a divisão do mundo árabe, confundindo fascistas com cidadãos islâmicos que nada têm a ver com esse projecto fascista e pan-islamita. O assassinato de Sadham é um gesto de bárbaros (que gritam vivas a Al Sadr o fascista shiita que domina uma cidade e mantêm 7.000 milícias armadas), para contentar a maioria shiita, não é um acto de direito e muito menos pretende julgar um ditador ou um regime. Ao menos, no Trbunal de Nuremberga estavam lá quase todos e o julgamento feito foi a um regime e às suas cabeças principais. Houve de tudo, arrependendidos e não arrependidos mas uns e outros puderam expor as suas razões, e nalguns casos as motivações políticas que haviam sustentado a sua adesão ao Partido Nazi. Com Sadham foi uma farsa, nem se julgou um ditador (e os tais massacres, onde estão os processos sobre os tais massacres que lhe eram atribuídos?) e muito menos se julgou um regime.
Se há "democratas" que ficam satisfeitos só porque se liquidou um tirano mas escondeu-se os que os sustentavam por detrás, então certamente têm uma visão do direito que não é a nossa.
A resposta à barbárie virá. Aqueles que agora deram vivas à execução bárbara de Sadham pagarão um dia os erros cometidos. Não é em vão que a democracia ocidental permite uma tal leviandade.
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Sábado, Dezembro 30, 2006
A execução de Sadham serve os interesses dos fascistas islâmicos!

Os fanáticos maniqueístas (de todos os matizes), acham sempre que há só duas faces do mesmo problema ou questão. Para uns e outros, a execução de Sadham vai servir de pretexto para justificarem as suas políticas estratégicas em relação ao conflito que opôe o mundo ocidental e uma parte substancial do mundo árabe e islâmico ao fascismo islâmico centralizado e conduzido pela Al Qaeda, em ligação com os vários grupos "fundamentalistas" espalhados pelos cinco continentes.
De um lado os que argumentam que se tratava de um ditador e um canalha e como tal merecia esta execução. Esqueciam pelo meio Pinochet, Videla, Franco, Salazar, Gualtieri, os ditadores birmaneses. Do outro os que sendo contra a intervenção militar contra Sadham tentam tirar o máximo partido dos erros cometidos pelas forças da coligação no Iraque para favorecerem uma política de negociação e apaziguamento com o terrorismo e fascismo islamita.
Para estas duas visões não há lugar para outras: ou se matava e rapidamente, sem que o julgamento prosseguisse até se apurarem as responsabilidades pelos tão falados massacres de curdos, shiitas, etc. (erro, em nosso entender, agora cometido), ou sequer haveria lugar a qualquer julgamento porque se trataria sempre de um julgamento feito após uma ocupação militar considerada por eles como ilegal. Entre estas duas posições nem sequer há lugar para a única que não pondo em causa a intervenção militar pretende que o julgamento de um regime não pode ser reduzido ao julgamento do seu responsável e ditador principal e que havendo esse julgamento, o mesmo deveria ser levado até às últimas consequências, isto é, dentro do quadro de um sistema de direito democrático e não como "vendetta" de um grupo (os shiitas) contra outro (os sunitas). Um julgamento que permitisse aos defensores de Sadham que apresentassem as suas razões e fundamentos(1), seria um julgamento verdadeiramente democrático, próprio de um estado de direito (ou este serve apenas para os seus funcionários e declarantes?). Poderá argumentar-se que o tribunal tinha legitimidade para julgar Sadham porque o Governo que lhe outorgara esses poderes era um governo legítimo saído de um processo eleitoral. No entanto a circunstância de serem assassinados alguns dos principais advogados de defesa de Sadham deveria merecer uma resposta democrática e firme do tribunal, rejeitando julgar Sadham enquanto as condições de igualdade entre defensores e acusadores não fosse absolutamente assegurada, como sucede nos países democráticos ocidentais. No caso português imagine-se que seria constituído um tribunal para julgar os crimes cometidos pelo fascismo e particularmente por Marcelo Caetano e que esse tribunal permitisse que os advogados deste último fossem assassinados um por um sem que fosse tomada qualquer medida no sentido de evitar o prosseguimento de um julgamento que seria sempre uma farsa. Imagine-se por exemplo que os EUA invadissem Cuba e um tribunal fosse cosntituído para julgar Fidel Castro. Alguém pensa que seria possível condenar à morte Fidel Castro sem uma grande parte dos países europeus pusesse em causa as suas realçãos com os EUA? E a Rússia, o que faria a Rússia? E contudo Fidel é acusado pela oposição de ter morto milhares de cidadãos cubanos!.
Foi pois um excelente serviço prestado aos inimigos da liberdade e da democracia (e uma boa ajuda aos movimentos ditos pacifistas e humanitários na sua cruzada anti-americana), e um entrave sério ao combate contra o fascismo islâsmico por parte dos cidadãos livres. Os estados e os políticos-marionetas das grandes corporações (democratas ou republicanos, esquerdistas ou neo-conservadores), podem sorrir de satisfação mas as consequências maiores deste e doutros erros serão a breve prazo pagos pelos próprios cidadãos, não por eles.
Nota:
(1) E foi precisamente isto que os antigos apoiantes de Sadham (a administração americana nomeadamente na época dos democratas no Poder e os vários estados europeus, socialistas ou democratas-cristãos), não quiseram que acontecesse pois o prosseguimento do julgamento iria revelar (tal como viria a suceder caso Milosevic não fosse assassinado na prisão), a cumplicidade dos serviços secretos norte-americanos e dos serviços secretos dos países europeus, com a política de Sadham já que este reprimia e continha a ofensiva dos grupos islamitas mais radicais (os waabithas, a jihad islâmica, etc.).
O prosseguimento do julgamento iria colocar muitos dos governos e políticos europeus nas primeiras páginas dos jornais quando os defensores de Sadham revelassem provas do apoio destes à sua política de contenção do islamismo mais radical.
Não foi por isso um julgamento para apurar as responsabilidades de Sadham e dos seus capatazes sanguinários nem tão pouco um julgamento para apurar a sua cumplicidade com os grupos terroristas que operavam no Médio Oriente e de cujo financimaneto tanto se falava.
Numa recente entrevista telefónica à AP, o advogado de Tarek Aziz (antigo ministro dos neg´cios estrangeiros de Sadham) afirmou que a execução de Sadham estaria a ser apressada apara evitar o tstemunho do próprio Aziz, no qual este iria revelar (e citamos), "dados importantes sobre o envolvimento de muitas personalidades locais e estrangeiras" em relação a acontecimentos relacionados com a morte de milhares de pessoas durante o conflito Iraque-Irão". (ver artigo completo no "International Herald Tribune").
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Estratégias na luta contra o fascismo islâmico
No plano político a luta deve incorporar também elementos de crítica e autocrítica, em particular daqueles que defendem um processo de intervenção militar nos países que apoiam claramente o terrorismo (Irão, Síria e outros) mas que não se conformam com os erros e atitudes dos dirigentes políticos e dos Estados responsáveis por essas intervenções.
O caso de Abu Graib é um exemplo, bem como muitas das técticas usadas na guerra contra os grupos extremistas que actuam no Iraque. E mais recentemente a execução de Sadham. Combater e denunciar estas atitudes deve fazer parte do combate contra o fascismo islâmico na medida em que favorecem o mesmo e em vez de separarem os movimentos moderados dos movimentos radicais, contribuem para a sua união ou pelo menos para uma certa cumplicidade entre ambos.
Além do mais o combate contra o fascismo islâmico deve ser igualmente um combate contra as corporações que dominam os aparelhos partidários dos diversos países ocidentais (e também árabes), pois são elas, em grande parte que determinam as estratégias a seguir (nomeadamente a partir dos meios de comunicação que dominam). Quando porém as corporações e os partidos que apoiam falham nas estratégias há sempre um bode expiatório (Rumsfeld, John Bolton, etc.), mas a responsabilidade dos seus erros deve ser imputada em primeiro lugar àqueles que determinam fundamentalmente essas políticas.
Por outro lado a luta contra o fascismo islâmico não é nem deve ser um exclusivo deste ou daquele país ou estado (no caso dos EUA, por exemplo), mas sim alargar-se a toda a sociedade cívica, tal como sucedeu no passado com a luta contra os diversos fascismos europeus. Quando se fala na Resistência anti-fascista não se fala em primeiro lugar na intervenção dos estados mas sim na intervenção directa dos cidadãos pois são eles em primeiro lugar que sofrem as consequências de viver sob o jugo de um qualquer reegime fascista. Conceder que sejam os EUA e a Inglaterra e os seus aparelhos político-militares a desenvolver exclusivamente esse combate e quase exlusivamente no plano militar, é um erro grave que se virará contra os próprios cidadãos do mundo ocidental e também dos países árabes e islâmicos.
Referimos pois: o combate contra o fascismo e o terrorismo islâmico deve ser principalmente dos cidadãos e das suas organizações. Aos estados cabe garantir a segurança dos seus cidadãos, quer no plano militar, quer policial, não lhes cabe substituir a luta dos cidadãos por uma socieade melhor e também mais segura. Neste quadro uma intervenção militar pode ser positiva dado que pode fazer integrante de um conjunto de acções a desencadear contra o fascismo islâmico num determinado país. Mas deixar que sejam os políticos e os estados a encabeçar esse combate é um erro grave e as consequências disso estão à vista de todos. Não é pelo facto da Casa Branca ser presidida por Bush, um republicano, que esse combate tem falhado em vários aspectos enquanto o movimento fascista islâmico tem vindo a crescer em toda a Europa e no Mundo (ainda recentemente foi tomada a Somália). Se estivesse um democrata na Casa Branca os resultados seriam sensivelmente os mesmos ou pior ainda. O principal erro reside no facto de serem os estados (e dominantemente o estado americano), a conduzir essa luta, arrastando inevitavelmente com o ónus dos erros cometidos e contribuindo para o isolamento do seu próprio país, nomeadamente em relação à Europa e também para o enfraquecimento da luta contra o fascismo islâmico.
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Sexta-feira, Dezembro 29, 2006
The Coffin of Western Countries

Já aqui o temos dito mas voltamos a repeti-lo - a civilização ocidental é uma merda mas é nossa, foi aqui que nascemos e é nela que vivemos.
Esse direito, o de preservar a nossa identidade, é nosso, tal como cada povo tem o direito de preservar a sua identidade. Cada família, cada individuo, seja português, iraniano ou das Ilhas Faraoe, não é um número, não é uma estatistica, não é uma percentagem. Não há nada de nacionalista ou reaccionário nisto - uma casa é uma casa, só lá entra quem nós entendemos. Porque razão um país não há-de ser uma casa, com uma porta e uma campaínha onde tocamos se queremos ser atendidos.
Admiram-se os SOS-Racismos? Admiram-se os eco-fascistas que querem que partilhemos tudo até a cerveja que bebemos descansados numa esplanada, amigos do ambiente porquê se o ambiente pode ser péssimo?
E pior que tudo isso não é um guichet? A repartição tem uma porta mas também tem um guichet e nesse nós além de esperarmos e muitas horas, não podemos sequer ambicionar ser recebidos porque há uma sujeita de óculos esquisitos que nos faz assinar imensa papelada.
Mas quanto aos países, aqui a exigência é nenhuma, é tudo à fartazana, entra-se, fabricam-se bombas, preparam-se assassinatos de indívíduos inconveneientes(1), quer em nome do crime organizado das mafias ocidentais (fala-se nas russas para desviar a atenção das que temos por cá, entre fronteiras), quer em nome do Islão e da sua Guerra Santa, a Jihad.
Kofi Annan é o representante do políticamente correcto instalado na ONU, paga com os dinheiros dos contribuintes norte-americanos. Kofi Annan, o coffin dos países ocidentais vai despedir-se e já se prepara provávelmente outro idêntico para lhe suceder.
Kofi é a máxima expressão desse mito made in West, do "bom selvagem", o "bom indio", e que coloca à frente da ONU um sujeito que nada diz ou faz de fundamental (mesmo o alto comissário para as NU anda práticamente de calções por entre acampamentos e sem qualquer protecção policial ou militar, o dinheiro deve ir todo para a família dos funcionários superiores da ONU dos pobrezinhos).
A ONU, no nosso modesto entender, não serve para nada. Se a Etiópia fosse a América, o que não correria hoje pelos media ocidentais sobre uma invasão americana na Somália. E contudo os EUA também lá estiveram. Com os etíopes e ainda bem. Sábiamente.
Notas:
(1) Como sucedeu com o cineasta holandês, bisneto do famoso pintor, Theo Van Gogh assassinado em plena rua de Amsterdam apenas por ter cometido o "pecado" mortal de... revelar num filme documental que as mulheres islâmicas são mal tratadas nos seus países.
E nós repetimos aqui insistentemente - as mulheres islâmicas são REALMENTE MAL TRATADAS! E de que forma! Já assistiram por acaso a um processo de divórcio num tribunal iraniano? FODA-SE! Nem os escorpiões e as baratas merecem pior tratamento! Só a Angelina os come por gosto. Os "eleitos" que ganham fortunas com o futebol (Figos, Zidanes & Ca.), e as vedetas do musical e do cinema "mainstream" decidiram agora que a melhor forma de expiarem as suas culpas é adoptarem pretinhos ou irem jogar para os clubes árabes! Os petro-dólares chegam para isso tudo. Até pode ser que uma das cabeças cortadas em plena praça pública vá parar aos pés do Figo. E então? Será que ele vai mesmo marcar golo na baliza da equipa da Sky News ou da CNN?
A África contudo coninua e continuará pobre. Com o Coffin, os U2, o Geldoff, o Kabila e o Eduardo dos Santos, a África permanecerá pobre para sempre.
(2) Kofi será o Prémio Nobel da Paz 2007 (ou já foi anos antes? realmente não recordamos se sim ou não. Mas se não recebeu antes vai receber decerto depois.
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Somos contra todos os fanatismos
Sempre fomos contra Sadham e o seu regime totalitário mas somos também contra o regime islâmico que vigora na Arábia Saudita, no Sudão, na Somália antes da ocupação etíope, no Egipto e na Palestina. Somos também contra o regime ditatorial de Pinochet, o regime dos Videla, o regime totalitário dos militares brasileiros. Isto é, não sustentamos a visão maniqueísta de que sendo regimes a favor da Casa Branca e de quem lá está, são ditaduras boas e que até convocam eleições, etc. e os regimes maus, os que são contra a Casa Branca e quem lá mora. Somos contra todos os regimes autoritários incluindo aqueles que na Europa fingem ser muito democratas mas continuam a defender o poder autocrático das grandes empresas, dos grandes interesses corporativos, dos endinheirados cujos proventos não provêm directamente do seu trabalho mas têm muitas vezes uma origem criminosa.
A matar-se Sadham ter-se-ia que fazer o mesmo com centenas senão mesmo milhares de políticos que o sustentavam e partilhavam com ele o poder. É muito fácil julgar um regime através de um homem (é o mesmo erro que apreciar o governo dos EUA ou a própria América, através do seu presidente, por exemplo), e liquidar um governante sem lhe dar a mínima possibilidade de um julgamento justo e equilibrado (relembre-se que durante o julgamento forma assassinados vários defensores de Sadham, sem que o tribunal tivesse suspenso o dito julgamento até ao apuramento das causas do seu assassinato). Julgar-se um regime através de um conjunto de várias personalidades, isso é mais complicado e teme-se hipocritamente que a sociedade civil venha a reagir violentamente.
Tal como aqui sempre exortámos a sociedade civil ocidental a reagir contra o fanatismo dos fascistas islâmicos, também não deixaremos passar em claro este erro clamoroso e este atropêlo às mais elementares regras de um verdadeiro estado de direito democrático. A socieade civil iraquiana, sunitas, curdos ou shiitas (mesmo tendo em conta as acusações contra o antigo regime totalitário iraquiano), deve fazer ouvir a sua voz contra este acto bárbaro que visa condenar à morte um dirigente político que antes se cobria de elogios e com quem se negociava e se era aliado (aquando da guerra com o Irão por exemplo). Ou nessa altura ainda não era um ditador?
Julgue-se Sadham e outros dirigentes políticos iraquianos mas não se dê ouvidos à barbárie que está na rua e que se acoberta atrás da maioria shiita. Não se pense por um segundo que uma tal execução práticamente sumária ajudará a pacificar a sociedade iraquiana. Ao contrário e tal como o que sucedeu na prisão de Abu Graib, um tal acto tão bárbaro quanto os cometidos em nome do Islão, trata-se de um erro lamentável e que fará adiar uma solução pacífica e democrática para o problema iraquiano.
Um dia que a maioria shiita detenha sózinha o poder (tal como já o faz em Sadr City com as 7.000 milícias poderosamente armadas pelo Irão), todos iremos lamentar os erros cometidos contra os sunitas e em particular o assassinato do seu líder máximo Sadham, anteriormenter acolhido pela comunidade internacional como um elemento indispensável de contenção do "fundamentalismo" islâmico.(1)
Nota 1:
Não é uma sentença judicial. É uma sentença de um tribunal arranjado à pressa (onde estavam esses magistrados aquando do regime de Sadham, quem os lá colocou?), e que não deu garantias de igualdade de tratamento aos defensores e acusadores. Pode não se concordar com a defesa de Sadham, pode não se concordar com a defesa de alguém que é supostamente autor de vários crimes (como Pinochet, Videla, Fidel Castro e outros), mas o estado de direito é isso mesmo - a lei não serve apenas para os acusadores, sejam eles quais fôrem.
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