Quarta-feira, Outubro 06, 2004

Sózinhos no paraíso

Ao cortarem a cabeça a todos os infiéis, os islamitas radicais correm o risco de não terem nada que fazer quando um dia forem para o paraíso.

Quarta-feira, Setembro 15, 2004

A luz solar e os sonhos

Quando a luz do sol penetra dentro de um sonho é porque este é o derradeiro.

Segunda-feira, Setembro 13, 2004

A existência também cansa

Estavam cansados da vida e decidiram suicidar-se. Deixaram ambos uma pequenina nota escrita. Em documentos separados.
O marido disparou apenas dois tiros. O primeiro alvejando a esposa no coração. O outro, guardou-o para si, disparando em cheio nas têmporas.
Os dois estavam agora caídos no chão da sala. A mulher porém soergueu-se alguns segundos depois, retirou o colete de alumínio que tinha vestido, limpou os vestígios de pólvora seca e destruiu o documento que havia escrito.
Só a segunda bala era verdadeira. Ela própria tinha carregado a arma pouco antes do marido chegar.

O outro lado

Durante o sonho ia a fugir de um homem armado e ouviu um enorme estampido. Depois acordou.
Conseguiu articular ainda algumas palavras à esposa deitada ao lado e em seguida exalou um último suspiro. Acabara de ser abatido por um vizinho com quem mantinha uma disputa de propriedade.

Domingo, Setembro 12, 2004

Cuidados ambientalistas

O ambientalista ao volante do seu Cherokee, parou o jipe ao ter uma súbita vontade de urinar. Foi perto da cerca de arame do parque natural e reparou no cartaz sobre a defesa do ambiente. Sorriu, compreendeu perfeitamente e em seguida urinou para dentro de uma garrafa "camping gaz". Contente consigo próprio decidiu contemplar dali a natureza à volta. Encostou-se à cerca e caiu para o chão carbonizado.
Por lapso alguém havia aumentado a voltagem do arame protector.

As coisas mudam...

Do alto do arranha-ceús novaiorquino, o marido segurava a mulher pelos pés e ameaçava estatelá-la no asfalto, lá bem no fundo, caso não aceitassem as suas reclamações.
O psicólogo dos bombeiros numa outra janela, sorria ligeiramente para o homem e com um gesto pedia-lhe calma.
Como numa ampulheta, Deus segurou o Globo numa das mãos e virou-o do avesso.
Agora era a mulher que pontapeava o marido enquanto o bombeiro sorria e com as mãos incentivava-a a livrar-se do dito.

Sábado, Setembro 11, 2004

A concentração pacifista

Alguns pacifistas juntaram-se na praça da grande cidade, lançaram ao ar algumas pombas brancas e agitaram bandeiras contra o sistema.
Em seguida formaram alas e avançaram resolutos sobre os centros comerciais mais próximos agredindo ao acaso os clientes que ali se encontravam.
A polícia de intervenção pediu desculpa e dispersou-os mais tarde com discrição e cortesia.
A paz reinou por momentos no local.

O baile dos guerreiros

Naquela guerra os adversários juntaram-se num baile de finalistas. Distribuíram-se diplomas e no final toda a gente foi para casa meio embriagada. Depois vieram novos recrutas e a guerra recomeçou.

Dormir infinitamente

Detestava tanto a vigília que concebera uma máquina que o mantinha sempre adormecido.

Uma questão de fusos horários

Em Los Angeles o burguês mafiosi domina o milieu e é temido por todos.
Em Munique, do outro lado do Atlântico, um reconhecido pistoleiro profissional recebe a incumbência de o liquidar mal a noite chegasse. Parte então para LA. Porém quando chega a Los Angeles é muito cedo e tem de aguardar no hotel que finalmente escureça.
Entretanto o gordo americano ignorando os factos, parte a meio da tarde para Paris em viagem de negócios.
Nunca chegaram a encontrar-se frente a frente.

Sexta-feira, Setembro 10, 2004

À espera de serem atendidos

Nos estádios de futebol, ao lado dos restaurantes e centros comerciais, foram instaladas também agências funerárias e necrotérios.
Os funcionários não têm mãos a medir. Nas bancadas há sempre potenciais clientes inanimados pelas emoções, à espera de serem atendidos. Trabalho não falta.

Jogar para trás

Os jogadores da equipa adversária começaram o jogo a pontapear a bola para trás. Houve muitos golos e toda a gente saiu satisfeita.

O procurador e o pedófilo

O procurador foi à Medicina Legal ver os genitais do pedófilo. Quando abandonou a sala dirigiu-se à casa de banho, fez o desenho de um falo nas paredes e masturbou-se.
Depois foi acabar o relatório sobre o caso.

Um bom regresso

- Regressou bem, vejo que se encontra de boa saúde - disse o agente funerário abrindo a urna.
Depois retirou o indíviduo lá de dentro, ajudou-o a levantar-se e encaminhou-o até à porta da agência. Despediu-se dele com um aceno cordial.
- Volte sempre! - ainda lhe gritou já o outro ia ao fundo da rua apressado.

Domingo, Agosto 29, 2004

A validade jurídica dos documentos

Os documentos não têm qualquer validade se assinados durante o decorrer de um sonho.
Nos sonhos podem estabelecer-se acordos e convénios, mas estes devem ser sempre assinados depois de todas as partes acordarem.

O psicanalista

Era um notável psicanalista.
Nos sonhos porém, andava sempre a vaguear pelos corredores do hospício montado numa giganteca escova de dentes.

A notícia fatal

Quando os amigos vieram comunicar-lhe o seu próprio falecimento, caiu para o lado completamente inanimado.
- Eu não te dizia, gritou um deles. Porque é que foste dar-lhe a notícia. Eu sabia que ele não iria resistir.