| Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008 |
| Viva Fidel, o irmão não serve! |
Fidel foi um mito. Foi e será. Seja o que fôr que os mitos são, desde o pequeno homem do bigode e ainda por cima germânico, que ainda faz mexer muita gente interessada na expansão do holocausto a outras regiões do Cadáver-Mundo, há mitos para todos os gostos - mitos dos reaccionários e mitos dos revolucionários (nestes últimos quem já se lembra da Louise Michel e do próprio Rimbaud que esteve ao lado da Comuna de Paris?). Do lado dos reaccionários da direita, a história bate uma punheta à memória, (que é como qem diz faz por esquecer). Porque para se ser de diretia depois do Carlos Marques, já não basta ser anti-comunista, é preciso afirmá-lo. Com argumentação que bata no fundo. Que vá ao fundo das questões, dir-se-ia. Pois.
E isto dizendo, para bater certo, faz mal bater o papo assim gostoso com alguém...se Fidel abandonou a corrida à presidência para lhe suceder o irmão de armas, corpos e copos (sobretudo mais dos últimos, e até não estaria mal do ponto de vista revolucionário porque somos contra os proibicionimos quer seja do alcóol e do fumo e das chamadas drogas injectadas pelo próprio Sistema, estamo-nos nas tintas quer para os injectores quer para os injectados), é porque sabe que o irmão é suficientemente competente (muito mais que a gente proletária, cubana ou tanto faz, que nada percebe de governação), para continuar avanti populi, o sonho da revolução bufona (que se peida e ri a cada momento), o sonho de Che, que era fundamentalmente o de uma "Cuba libre", com pessoas livres e emancipadas (e que não exitem senão nos nossos continetnes cerebrais mais reconditos, isto é, aqueles que Egas Mponiz consguiu retirar e pôr no frascuinho do seu laboratoire).
A bebida em si (a Cuba finalmente libre), já está aí em todas as tascas finórias. Falta a liberdade mas essa nem Che nem Fidel supunham que existisse, o objectivbo era mesmo outro, o de governar, etar no poder, fazer com as massas os imitassem à semelahnça do que faziam antes os burguesotes e os aristocratas apalernmados e idiotas.
Se Bush é um malabarista azelha (no Poker perderia logo à primeira jogada), e por vezes é um filho da puta, o Fidel e os que o acompanham não são nelhores. A ala liberal do partido demcorata norte-americano e o Solana mais o Barroso, o Mário Soares, o Vitorino e toda a sua côrte de euro-optimistas é a mesma coisa. E quem viver mais de 10 anos após esta data, quando andar pelas ruas de granadas à cintura, vai perceber porquê!. Mad Max, pá!
A solução para Cuba (como aliás para outros países homólogos), é injectar o ditador com uma susbtância qualquer que o faça pelo menos mover os lábios e dizer algumas passagens de discursos antigos, dos mais emotivos e inflamados. O irmão Raul pode governar à vontade, mas na Praça da Revolução, os discursos principais serão sempre do líder máximo da Revolução. É playback ok, mas neste caso justifica-se por completo. Porque a história não se repete e é preciso encontrar alternativas!.
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Enviado por: Carlos Martins 3:10 PM  |
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| Terça-feira, Maio 01, 2007 |
| Os mitos da revolução socialista |
Em Cuba, a ditadura estalinista não é posta em causa senão por um pequeno grupo de democratas (não propriamente os que dominam em Miami), porque os mitos da revolução socialista prevalecem sobre os mitos da revolução capitalista. Só isso. A força mítica do socialismo impregna o espírito e a "alma" dos cubanos como em Gibraltar ou nas Malvinas quase ninguém quer ser espanhol. Há mitos assim e tal como referia Goya num dos seus desenhos mais soltos - "Não há como detê-los".
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Enviado por: Carlos Martins 5:04 PM  |
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| Terça-feira, Agosto 01, 2006 |
| A transmissão hereditária |
A esquerda comunista distinguia-se da direita por ser anti-elitista e anti-autocrática. Hoje nos Partidos Comunistas a sucessão ou transmissão de poderes é feita para um dos um membros proeminentes da família Castro. Fidel dá assim lugar a Raul, o irmão, também este com 70 e alguns anos. A juventude cubana e os amigos da Cuba dos controlos de defesa da Revolução que espiam as pessoas em cada rua, dança a salsa enquanto o CC do PCC assiste a esta transmutação genética.
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Enviado por: Carlos Martins 7:34 PM  |
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| Aqueles que celebram a doença e a morte.... |
Não são certamente de aconselhar aqueles que no lado Oeste ou a Leste do Mundo celebram e festejam quando os seus adversários ou inimigos padecem de uma qualquer enfermidade ou falecem. Aqueles que em Miami festejam nas ruas a doença de Fidel Castro são exactamente feitos com o mesmo ADN, o mesmo código genético que enche as veias dos fanáticos de qualquer ideologia ou religião, são exctamente iguais aos islamo-fascistas que dizem combater, são exactamente iguais aos estalinistas que dizem combater, são uma merda de todo o tamanho!
Discordamos e denunciamos Fidel y sus muchachos por la ditadura que impoen a su pueblo hace mais de 45 anos, pero también poco nos importa estes imbeciles de Miami que hacen lo mismo que qualquier Pinochet, Videla, Chavez, Nassarah, Bin Laden o Sadham - se alegran con la dolor y el fin de sus adversarios, no tienen la bravura para los combatir con las armas en la mano y de lejos se alegran y danzan ante su dolor! Hijos de puta de cubanos mafiosi!
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Enviado por: Carlos Martins 5:12 PM  |
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| Quarta-feira, Maio 24, 2006 |
| O macaco continua sem ouvir |

Aos olhos da comunidade internacional (ou aquilo que se entende por isso), dir-se-ia que não há direitos humanos a defender em Cuba. O médico Dr. Guillermo Farinas pode morrer devido à greve da fome que iniciou como protesto por as autoridades cubanas não lhe concederem ou retirarem o direito a comunicar pela Internet (é um jornalista e a comunicação com os outros é tão importante como para nós o pão que comemos). O Dr. Biscet pode continuar na sua cela apenas por se opôr ao regime cubano, não é um criminoso nem anda a colocar bombas ou a conspirar contra a vida de ninguém (como fazem por exemplo os radicais islâmicos a actuar clandestinamente em Londres e noutras cidades europeias). A Presidente da Asamblea para a Socieade Cicil em Cuba, a democrata Martha Beatriz Roque, que continua a ser incomodada e agredida pelo simples facto de pretender reunir com um representante do governo americano (crime hediondo este quando os próprios dirigentes do regime cubano recebem americanos interessados em fazer chorudos negócios na ilha, tudo muito revolucionário e socialista!).
A comunidade internacional (ou o que resta dela), só tem ouvidos para certo tipo de violações de direitos humanos, nomeadamente as que se praticam contra terroristas ou que são prepertadas em regimes de direita. Quando as violações sucedem em Cuba, ou noutros regimes de "esquerda" a comunidade internacional faz como o macaco, tapa os ouvidos e só os abre quando lhe falam em investimentos turísticos em Cuba, bons hotéis, boas piscinas, de preferência tudo muito afastado da miséria colectiva em que vive o povo cubano.
Vá lá macaco, ao menos destapa os ouvidos uma semana que seja. Depois podes tapá-los outra vez!
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Enviado por: Carlos Martins 12:50 PM  |
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| Terça-feira, Maio 23, 2006 |
| As assombrações de Che |

Aos que por cá ficam depois de finarmos, temos o estranho hábito de lhes surgir insatisfeitos (buhhh!) e, digamos assim, mal convencidos. Julgamo-nos quase sempre, mortos por antecipação. Ainda tínhamos algum tempo de vida e contudo... Alguns mitos urbanos afirmam que os mortos descontentes têm tendência para regressar (embora nem sempre pacíficamente), ao convívio dos vivos.
As casas estão geralmente assombradas. Quase todas as casas que passam a primeira geração são candidatas a ter um fantasma, um único que seja. E se as casas o estão porque não as sedes dos partidos políticos ditos revolucionários?
Pode dizer-se que Maomé é adorado por ter sido um profeta mas a realidade é que as massas islâmicas o idolotram não por ser um profeta (pois a comunicação social está cheia deles, alguns dos quais "prestigiados" comentadores), mas por ser um fantasma que assombra o espírito de milhões de islâmicos.
Com os revolucionários cubanos passa-se a mesma coisa. Che é um fantasma que ainda continua a assombrar milhões de seres. Não porque seja um fantasma vingativo (ao estilo dos marinheiros mortos do "Nevoeiro" de J. Carpenter), mas porque a sua presença , ao insinuar-se nos espíritos dos jovens idealistas, os deixa marcados práticamente para toda a vida, impedindo-os em muitos casos de pensar de acordo com a sua própria consciência. Trata-se de um bom fantasma mas é um fantasma que assombra. Mesmo os espíritos mais sólidos, escritores e políticos com uma razoável carteira de encomendas, são tentados por este fantasma que os impede de verem para lá do mito, ou se assim quisermos, do ectoplasma que dele emana.
De uma forma ou de outra todos nós, mesmo até alguns dos seus adversários e inimigos, somos assombrados por este fantasma. Contudo os seus efeitos mais nefastos são observados naqueles que acreditam e seguem fielmente o mito, pouco se importando se são ou não utilizados como marionetas e mecanismos da própria propaganda do regime cubano, o qual é o primeiro desde há muitos anos a estimular e financiar a manutenção do mesmo (como fazem os terroristas islâmicos com Maomé), quando antes, com Che ainda vivo, o regime mantinha com ele algumas divergências de fundo, muitas das quais o conduziriam ao inferno boliviano e depois à morte.
Não sabemos se as assombrações de Che acometem também o ditador cubano. É provável que sim. Tal como a Dama de Negro, o fantasma de Che também deverá invadir os seus aposentos, pressionando a sua presença incómoda e desgastante, sobretudo para quem, como sucede com Fidel, vai contando por dias a sua ascenção final a um limbo qualquer destinado certamente aos que matam apenas para adiar a sua própria morte e a morte das suas convicções tornadas letra de lei e pelotão de fuzilamento.
Os fantasmas não têm ideologia, nem são vermelhos ou negros, são fantasmas. Por vezes agarram-se aos mitos que deixaram por cá enquanto seres vivos, colam-se a eles, são uma espécie de seres insatisfeitos, como quem morre novo e ainda tinha muito a dar ou julga que tinha. O problema contudo não é a sua existência e o pavor que despertam mas sim os problemas que causam ao espírito dos vivos e em especial dos que continuam presos à sua imagem enquanto mitos.
Há assombrações que passam os limites do admissível. Já deviam ter sido exorcizadas.
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Enviado por: Carlos Martins 3:22 PM  |
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| Domingo, Maio 21, 2006 |
| A Dama de Negro visita Fidel |

Pintura de Franz Von Stuck - 1863-1928
Últimamente Fidel tem sido visitado com alguma regularidade pela Dama de Negro. Trata-se de uma senhora bem colocada, diríamos talvez mesmo a mais bem colocada se considerarmos o sistema de valores universal. Os seus poderes mediúnicos são bem conhecidos.
Não, de facto não é verdade o que alguns comentam - Fidel não contratou qualquer vidente. Não é disso que se trata. A visita e companhia desta vidente não foi sequer solicitada por Fidel e muito menos, segundo nos asseguram dirigentes do CC do PCC, é realizada de acordo com os cânones e regulamentos diplomáticos. Trata-se pois de uma visita esperada mas indesejada e Fidel nada pode fazer quanto a isso.
A Dama de Negro desde há algum tempo que ronda os aposentos do Presidente e Chefe de Estado Supremo de Cuba, Comandante-Chefe das Forças Armadas e Dirigente Máximo do PCC. É vista junto à porta dos seus aposentos (contráriamente ao que afirma a revista Forbes, são humildes e a humidade e o bolor enchem as suas paredes), e por vezes fala com ele. Não sabemos se Fidel a escuta mas cremos que sim. Ainda não há muito tempo, quando Fidel caiu desamparado após um discurso público, a Dama de Negro foi vista por perto, entre a multidão.
Trata-se de um jogo, a Dama de Negro tem indiscutívelmente as melhores peças e tem feito os melhores lances, nomeadamente na ponta final da vida do ditador cubano. Mas Fidel cai e levanta-se, os médicos recuperam-no de novo para a função de Líder Supremo e Chefe Máximo do regime e a Dama de Negro quase desiste. Contudo e após alguns lances de aplauso seguro, a Dama volta a ganhar vantagem e o golpe final é esperado a todo o momento. A ampulheta não pára e a Dama de Negro limita-se a esperar, sabendo, mais do que ninguém, que o ditador irá perder e finalmente cair definitivamente.
A Dama de Negro não absolve ninguém.
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Enviado por: Carlos Martins 10:17 AM  |
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| Sábado, Maio 20, 2006 |
| Cuba Socialista? E é preciso prender os críticos? |

Pintura de Ernesto Rancano
Trancrevemos abaixo o email enviado ao site "Cuba Socialista" favorável ao regime que vigora actualmente naquela ilha:
Acabo de conocer vuestro sítio en la Web y tambien de poner vuestro link en nuestro proprio, llamado de "Uma Cuba Livre para Todos!" en portugués y dedicado al movimiento democrático anti-castrista.
Siendo contrarios a la tesis de que en Cuba hay una revolucion socialista, seguimos contudo con atención lo que piensen sus cultores y defensores en todo el Mundo, razón mas que suficiente para invitar a mis lectores para que escuchen tambien la voz que sigue imponendo sus leyes y dictados en la isla, de una forma maniqueísta y totalitária como lo hacen aliás todos los regimens totalitarios de derecha, o sea atacando todas las voces de la oposición como siendo terroristas o cúmplices de los EUA y impidiendo asi el dialogo y debate entre todos los cubanos sobre la verdadera Cuba y no solamente basado en unos cuantos fascistas de extrema derecha que conspiran desde hace mucho contra Cuba poco les importando que sea democratica, monarquica parlamentarista o nacionalista desde que sea eternamiente dependiente del Pentágono americano.
Tal como los fascistas aki lo hacian durante el regime de Salazar (que tambien dominó durante 47 anos!), viendo en todos los democratas, elementos subversivos conectados con la URSS y el Partido Comunista Portugués, tambien los cubanos por la ditadura fidelista y del PCC, siguen siempre viendo en todos los disidentes y opositores, bandidos, sequazes y terroristas al servicio de los EUA y de su política imperialista.
Para uds no hay pues ninguna diferencia entre un opositor de derecha y un otro mas de cientro-esquierda o mismo del cientro-derecha. Son todos terroristas, subversivos, conspiradores contra la seguridad del Estado y bandidos. Tal como dicen todos los ditadores cuando sienten que su regime es temporario, efímero y que hay ya miles de personas que levantan su voz contra él.
Es verdad que uds tienen razón en cuanto a los de la mafia de miami, pero eso no les concide ninguna autoridad (sinon la que resulta de la mentira y de la fuerza de vuestras canoneras), para tratar a todos los opositores como bandidos. Tan poco uds no dejan de tener razón sobre el facto que muchos opositores son efectivamente bandidos a sueldo de los EUA, quizá a algunos poco les importaria desencadenar un bano de sangre en Cuba con atentados al estilo de Al Qaeda, pero eso no les garantiza que tengan toda la razón en cuanto a otros opositores verdaderamente democraticos (como Cabrera Infante que fue forzado a exilar-se, no a emigrar como uds afirman de los que fuen de las isla).
Una de las características de todos los fascismos (y el vermello o color oliva, no deja de ser original en eso), es la de poner una etiqueta en todas las personas que se oponen al Chefe Supremo, al Dirigente Supremo, al Gran Timonero, a su Fuhrer, a su Caudillo. Eso es algo que ningún fascismo, cualquier que sea su fuente o matriz teórica, puede dispensar se de recurrir a ese paso de propaganda. Goebbels y Beria lo conocían ya. Hace parte de todos los departamientos de la Propaganda. El Big Brother es también comunista. Pero el recurso a la calunia y la mentira, tambiem es la senal de que el futuro ya no mira para trás, pero si adelante y nos muestra que lo que era sacrosanto en el pasado ahora es una inicuidade, una mera relíquia aunque mitificada y adornada con los matizes de la mitologia revolucionaria ya contudo comatosa.
El futuro es del hombre individual, no del individualismo pequeno-burgués como vosotros lo apúntan pretendiendo ocultar que el hombre necessita de su liberdad propria y no solo la libertad concedida por el Estado y el colectivo.
Seguiremos contudo liendo vosotros con la misma atención que lo hacemos con los democratas y opositores de la ditadura cubana. No tenemos tabus ni preconcetos anti-revolucionarios y mucho menos anti-cubanos ya que nosostros probablemente luchavamos y poníamos en risco nuestras vidas de militantes por una Cuba socialista pero democratica, dialectica y progresista, mucho antes que muchos de uds empezacen siquier a leer un manual de la revolución.
Hasta Siempre! Y Abajo los Comandantes del Espírito!
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Enviado por: Carlos Martins 6:58 PM  |
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| O Mito do Che |

No passado dia 17 de Maio, o Briteiros lançou um posting sobre a figura de Che, intitulado "O Guerrilheiro Heróico" e citando uma frase do próprio: "Vale milhões de vezes mais a vida de um único ser humano do que todas as propriedades do homem mais rico da terra".
Entre os comentários dos seus leitores, destacamos três deles:
1 - "Deve ter sido por isso que este assassino fartou-se de tirar vidas."(Suevo)
2 - Não sei se ele tirou vidas ou não. Não podemos falar do que não vimos; só nos podemos basear nos testemunhos de pessoas que com ele lidaram durante anos.(Bom Garfo)
3 - E o "Suevo" esquece-se que além de revolucionário o Che era médico? E que foi um homem que se bateu consequentemente pelos seus ideais humanistas e assim morreu assassinado a sangue-frio a mandado da CIA? Quando podia comodamente nem ter saído da sua pátria ou ter continuado em Cuba ministro, presidente do banco central, herói da revolução? É bom o mínimo de respeito por quem faz o que nós não teriamos a coragem de fazer. (Margarida).
Dos três, indiscutívelmente, o do meio, "Um Bom Garfo", é o que possue a virtude do equilíbrio, a qualidade da incerteza, o que permite que a verdade sobre o próprio mito possa ainda ser revelada e provada. Um dia virá.
Quanto ao "Suevo" mais parece uma testemunha dos bairros sociais, aqueles que vêem tudo sem conseguir vislumbrar absolutamente quase nada. Há uma vítima, tem de haver um criminoso e esse só pode ser o nosso adversário político, ou mesmo o vizinho de que não gostamos e que de certa forma nos faz a vida negra, mais do que já é. O "Suevo" pensa estar perante um serial-killer político e desabafa "Fartou-se de tirar vidas". Mas também há no capitalismo neo-liberal quem se farte de tirar vidas (nomedamente alguns mafiosi anti-castristas, a própria CIA, o Pentágono, o Sadham, os Mujahidin, os Talibans, o próprio "pacificador" Guterres ao apoiar o bombardeamento da Jugoslávia a mando de Clinton e do eco-politicamente correcto Al Gore), e contudo não se os acusa de assassinos, são apenas pessoas que "matam no cumprimento das suas obrigações políticas, diplomáticas", ou porque as suas organizações os mandam matar. A questão deveria ser pois colocada num outro plano, o libertário - somos contra todos os que assassinam em nome de ideais ou por outro motivo qualquer, sejam de esquerda ou de direita, liberais ou comunistas, proletários ou burgueses. E Che, crê-se que teria morto alguns "contra-revolucionários", poderá estar também nessa categoria de indivíduos. Mas não apenas o Che, diga-se. Crê-se também que o próprio Raul Castro, irmão do actual presidente cubano, teria assasssinado opositores do regime a sangue-frio, matando-os ele próprio. E Camilo Cienfuegos também. Estaríamos assim perante governantes que tomaram o poder matando e anulando vidas pelas suas próprias mãos. Como aqueles sanguinários a soldo da ditadura de Pinochet que não hesitaram em cortar os dedos das mãos de um canto-autor (Victor Jara) para que este jamais pudesse tocar guitarra. Entre os neo-liberais e os reaccionários da direita e da extrema-direita, também há assassinos políticos e não são poucos.
O que importa contudo quanto à figura de Che é a sua dismitificação. Aqueles que mentem apenas para denegrir a sua imagem junto de centenas de milhares senão mesmo de milhões de pessoas, mais não fazem do que contribuir para o reforço do mito e a sua permanência. Também McCarthy nos EUA, levou ao suicídio de alguns democratas americanos apenas pelo simples facto de serem injustamente acusados de pertencerem ao PC americano e verem as suas carreiras profissionais e a sua vida familiar completamente destroçadas. Mas McCarthy não é acusado de ser um assassino. Che deve ser julgado pelas suas ideias e a crítica legítima que lhe podemos fazer (mas não apenas a ele, entenda-se), é a de ter, ao fim e ao cabo comprometido a verdadeira emancipação dos trabalhadores assalariados e em particular os de Cuba, que ao fim de 50 anos, continuam a ser pobres e miseráveis tal como eram ou pior ainda, com o ditador de direita Batista. Mudaram apenas de dono.
Assassinos que matam em nome de ideais existem por aí, do lado da esquerda e do lado da direita. E há os que não matando, o fazem lentamente, roubando os mais pobres, sacrificando-os em nome do liberalismo económico, das reformas para o controlo do défice. E esses só são julgados de 4 em quatro anos, não há tribunal que os julgue. Saiem sempre impunes. E nunca têm dissidentes.
Ao vermos o estado a que Cuba chegou, ao vermos o que a "Revolução" fez aos seus adversários e críticos, muitos deles tendo contribuído com Fidel, com Che e com Camilo Cienfuegos, para a vitória da mesma, podemos ser levados a pensar que esta génese letal já prenunciava a presente situação de extrema carência e falta de liberdade do povo cubano. E é aqui que a crítica ao Che e a outros dos seus companheiros se justifica plenamente. Não é preciso inventar, criar assassinatos onde não houve, basta julgar Che por aquilo que fez e não fez. A América Latina não está melhor desde que partiu para a Bolívia para fabricar revoluções, deixando (e aqui fez bem) os seus cargos e uma carreira de ministro revolucionário, certamente com um futuro muito promissor (basta contar os anos em que Fidel está à frente do Governo, quase 47, tantos como Salazar!!!).
Quanto a Margarida erra profundametne quando diz "E o "Suevo" esquece-se que além de revolucionário o Che era médico? E que foi um homem que se bateu consequentemente pelos seus ideais humanistas...". Mas a condição de médico já garante que se seja humanista? Então os médicos que "tratavam" dos presos políticos em Portugal durante o regime fascista eram humanistas?. Claro que há médicos humanistas mas há também alguns que são sobretudo assassinos, torturadores ou colaboradores de regimes ditatoriais, como certamente o são muitos médicos que colaboram com o regime estalinista de Fidel. Che bateu-se corajosamente (e isso é inegável) pelos seus ideais, muitas vezes a tal ponto que se equivocou ao pensar que a luta pela emancipação dos povos depende da vontade de uns quantos revolucionários iluminados e que a luta contra o capitalismo ou o imperialismo das grandes potências (antes, a URSS e os EUA), depende sobretudo da coragem de meia dúzia de intelectuais rebeldes. Se Che soubesse que a sua luta conduziria a uma socieade profundamente desigual, em que os priviligeados do Partido e os turistas estrangeiros são melhor tratados do que os cidadãos cubanos, talvez tivesse pensado duas vezes antes de ir para a Bolívia. Teria certamente feito melhor se continuasse em Cuba deixando os seus cargos governamentais ou se exilasse, mantendo e aprofundando a posição crítica que já mantinha com o Partido Comunista Cubano e em especial com o PCUS. Não o tendo feito recorreu à sua própria "santificação", tornando-se ele próprio um mártir da Revolução Socialista, uma espécie de ser imaculado devotado exclusivamente à causa da emancipação dos povos oprimidos. Uma espécie de novo Cristo. E sem dúvida tinha algumas das suas características, isso é indesmentível. Mas a América Latina (tal como a África e o Médio Oriente árabe), não precisam de mártires mas sim de pessoas que façam progredir os seus países económica, social e culturalmente. Sejam socialistas ou não, da direita ou da esquerda. Os seus pensamentos, os seus textos, não acrescentam práticamente nada sobre o ponto de vista da teoria revolucionária e sobre a evolução do Mundo. São nalguns casos manuais de instrução para guerrilheiros pouco interessados em acomodar-se a uma espécie de statu quo "revolucionário" e que procuram sempre novas fontes de "conflito" (criar novos Vietnames, por exemplo). Guevara não faz sequer parte do grupo dos revolucionários utópicos (como foram Proudhon, Bakunine, Kropotkine, Lafarge, Fourrier e outros), cuja obra teória continua a ser fundamental, ainda que em certos aspectos desactualizada.
A destruição do mito não deve contudo ser feita através da calúnia e da mentira mas do esclarecimento, do debate franco sobre os seus erros mas também sobre as suas qualidades e originalidades enquanto guerrilheiro anti-fascista. O mito não deve servir (como tem servido), para encobrir os crimes até hoje cometidos em nome da Revolução Socialista. Mas a desmitificação de Che também não pode servir para branquear os erros e crimes dos seus adversários e inimigos políticos (muitos deles sediados em Miami e que são a favor de uma Cuba-bordel e paraíso turístico para alguns magnatas mafiosi), muitos destes, pela sua conduta política e social, responsáveis em primeira linha para que em Cuba se mantenha o regime actual.
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Enviado por: Carlos Martins 1:51 PM  |
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