No Cu de Judas
Hoje mostrei-lhes o cu, vinham fazer propaganda....
Hoje a propaganda passou por aqui. Por acaso tinha acabado de evacuar, ainda uma parte do papel na mão direita, quando de súbito eles apareceram. Até o da Terra veio, desta vez disfarçado de Libertas.eu. Atirei-lhes com um pedaço de caca e depois afastaram-se satisfeitíssimos por terem conseguido passar da venda do Sr. Valentim. Depois meteram-se no carro, disseram algo em alemão tipo boliqueime e depois foram-se embora.
Todos vão votar como de costume. Sempre ou quase no PS e uma grande parte no PSD. O Carlos Brito fica a ver navios, os quais nunca passaram por aqui e não só por causa do porte. Tal como eu quando era militante do PCP e fui considerado anarquista, ele "anda a ver coisas...". Tal como sucedeu com o Ignazio Silone.

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E as eleições europeias? O que fazer com esta Europa?
Já em 1996 ou 1997, não recordo bem pois os processos cognitivos, também no meu caso estão a degenerar, escrevemos ao Jacques Delors a reclamar contra a demora de um subsídio do IEFP que ainda por cima não era a fundo perdido, era a pagar e bem pago, filhos da puta. E o Frère Jacques escreveu-nos uma cartinha muito simpática e até solidária dizendo contudo que nada podia fazer pois Portugal era (naquela altura entenda-se), um país soberano. Escreveram-nos a apoiar a nossa causa, o António José Seguro, então um jovem mas já a revelar diferenças com o seu próprio partido, o Mendes Bota (que não se fazia rogado em atirar a dita ao governo socialista de então), o próprio Secretário-Geral do PS então o António Guterres e o agora dissidente do PCP, Carlos Brito, enfim tudo gente do Contra e no bom sentido. E o que era a nossa causa? Simplesmente fazer daquela zona um enorme centro de produção cerâmica, tradicional e moderna que trouxesse mais turismo à região, vejam só o nosso crime!. Montámos a galeria gastámos o dinheiro das nossas poupanças, lá fomos para a ILE e o dinheiro que era da CEE lá ficou na gaveta desses corruptos do PS algarvio (todos metidos dentro do IEFP de Faro, esperemos que a alguns já lhes tenha chegado a peste mais virulenta!). Os meus familiares não resistiram e foram todos embora para Londres (filhos, mulher, e até alguns gatinhos que haviam sobrado das várias matanças que a "boa gente do povo", a genitalia local operava com alguma regularidade). Só eu fiquei porque me apeteceu ficar por cá com os lagartos verdes e azuis, inteligentes. Deixei crescer as barbas e fiz-me de doidinho como o Mário Elias de Mértola e não raras vezes apareço nu na estrada nacional (houve até um sujeito de San Francisco que vinha de bicicleta, viu-me, desmontou da dita e achou que podia, ali mesmo por detrás das estevas).
Os tiros cá continuam e a casinha azul mantém-se apesar de tudo de pé, embora esburacada.
Agora nas eleições europeias e volvidos tantos anos sobre o 325 de Abril, ainda continuam a vir buscar os "votantes" em camionetas reservadas pela autarquia local. Pelo menos é o que penso pois nesses dias é quando me apetece não fazer nada e ir para junto de um lago quase seco e ali dormir até as urnas fecharem. Depois nem sequer ligo aos resutados.
No Cu de Judas as coisas passam-se assim. É o país real, porra!

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Vai mais um tirinho na casa azul?
Já passaram mais de 30 anos sobre o 325 de Abril e o Alentejo aqui bem perto continua a dormir. Já lá vão milénios.
Há até um anúncio que foi retirado de uma das televisões (talvez por ser politícamente incorrecto), e que dizia mais ou menos isto: Este vinho necessita de repouso... (e as imagens eram todinhas do Alentejo, havia mesmo um sujeito apoiado num cajado, uma espécie de flauta sem som, o que em matéria de trabalho e criação, só mesmo a Dinamarca lhe passa os calcanhares).
Os lagartos que eu conheci, amarelo-verde vivo, com a beleza que a Natureza lhes concedeu antes de conhecerem o maior predador de todos - o aborígene da aldeia mais próxima, o sujeito que costuma passar de bicicleta, vê o lagarto, desmonta e desata aos tiros ao réptil que é ainda por cima mais inteligente do que ele, o dito que é proprietário de um BMW azul escuro, desses que os monta-cargas costumam transportar depois de se enfiarem a direito contra uma robusta árvore, má sorte para a dita, embora e de boa vontade acolham o defunto a priori), dizia eu antes, quando vim para cá (já morreram a minha esposa e os meus dois filhos só resto eu e quem sabe se não me fico por aqui...), já não resta quase nenhum. Entre uma eleição autárquica e outra, os lagartinhos perceberam o truque e abstiveram-se sempre. Como nós.
Mas os tiros lá continuam. Agora em vez de dormir na casinha azul, monto um igloo género terracota, ali pertinho do Vascão e ali durmo até que alguém me acorde e de repente, num sol diferente, dê comigo um século mais à frente ou se tal for viável, um século mais para trás. Como nos "Visitantes".
Se a paisagem tem cu é aqui que está o dito. Se a merda fosse produção que valesse, o Alentejo e sobretudo o mais baixinho, ali bem junto ao Algarve nordestino, era o maior destino turístico do Mundo. Não era só o turismo de habitação, era o Sheraton e o Holiday Inn, todos a explorar as potencialidades da área do cagalhão. Mesmo ao caminhar por aquelas ruas sem o mínimo acompanhamento do poder local (que aliás tem mais que fazer do que pôr um vigilante em cada esquina, aindap por cima a ler o Cláudio Torres), os sapatos e sobretudo os fundos dos mesmos, são o maior depositário de histórias e mitos antigos. É só levantar a bota e ver a bosta lá por baixo.
O que para os arquélogos dá estudo e certamente emprego certo durante anos. É que cada camada de porcaria é uma época. E no Alentejo, repito, no mais baixinho de todos, a sola dos sapatos de um qualquer viajante é capaz de nos revelar até quem teria sido a amante lusa do primeiro ditador romano que ocupou Mértola, algumas décadas antes do 25 de Abril sempre.

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E querias, assim tão longe do freeport...
O freeport em inglês quer dizer muito simplesmente que o porto se liberta por si mesmo.

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Vá lá, desta vez não foi um ano!
Desde Junho de 2007 que não escrevinhava nada aqui no Cu de Judas. Talves fosse por ser cu ou pelo dito ser hoje mais vocacionado para a delação e a traição, tão costumazes aliás neste reino de Josés (o Sócrates mas também o Magalhães e o Fonseca e Costa), e de Jorges (há falta de um Borges temos um Coelho e um Gabriel).
E hoje escrevi porque não sendo dado a festejos e a mitos urbanos, apeteceu-me recordar o José Afonso - não o Zeca porque esse era da UDP ou das B25PumPum e cantava coisas assim "o que faz falta é animar a malta, o que faz falta...", mas o poeta e trovador José Afonso que entoava os "Cantares do Andarilho" e que um dia, lado a lado com um poeta entretanto já ido (felizmente que não em Março), deu-me o braço e lá fomos caminhando até o tal cafézinho que fica mesmo em frente à "Assírio e Alvim" do Hermínio Monteiro (anda não consegues olhar-me de frente companheiro?), também ele já partido em dois e o que ficou para sempre na minha (aliás suspeitíssima) memória foi o facto de eleger os surrealistas (Cesariny, António Maria Lisboa, etc. todos menos o Oom e o Forte da "Carta ao Papa"), para aumentar as audiências editoriais da citada Assírio.
E assim recordando estes amigos (que procuraram sempre trocar-me as voltas para armarem ao pingarelho, isto é, para armarem ao importante, todos menos o José Afonso), resolvi hoje plantar na minha horta de cordel, uma dúzia de pepinilhos e mais igual quantidade de pepinos e de milho. Os pepinilhos foram dedicados ao Duran Clemente e os outros vegetables, sobretudo o milho, ao José Afonso, por causa dos "Cantares..." e do "Milho Verde".
Ao lado do Jose Afonso, também coloquei no jazigo em cimento e terracota (onde deposito geralmente os remains dos meus gatos e cães quase sempre envenenados pelo bom povo da vizinhança), alguns pés de pepinos dedicados ao Movimento das Forças que se desarmaram, sobretudo para me lembrar de todos os que valem a pena, o Victor Alves, o Vasco Lourenço, o Otelo, o Sousa Castro, e todos aqueles que mais do que nós, a trupe do Marcelo, do Mário Soares, do filhote João e do Carlucci (trupe que está agora em força na actividade bancária, lucros de 40 e mais por cento ao ano, ao mês e até ao dia!), conhece mais do que nós, de gingeira.

Mário Lino tem razão
O ministro das obras púbicas tem razão nesse ponto. Mais do que um deserto isto é uma miragem. Quem quer que tenha caído por estas bandas e não consiga sair (um porque investiu aqui todos os haveres ou porque sim), sabe que a desertificação é algo que em primeiro lugar pouco preocupa os indígenas locais. São aliás eles os primeiros a correr com os que vêm de fora ou por aqui ficam, tal como sucedeu comigo, só porque tiveram um dia de azar e fizeram uma má opção ficando.
O que Mário Lino não disse é que são eles os ministros e os seus camarades no Partido Socialista e no Partido Estaliniste (e também alguns da direita), que preferem que as coisas fiquem assim ou piorem ainda. Os mega projectos para endividar o país ainda mais, os projectos de cabeça de vaca dos ministros satisfeitíssimos do PS e PSD que servem para despovoar ainda mais as zonas rurais (com o empurrãozinho das próprias populações locais, isso está sempre seguro), fazem com que o país não tenha recursos para investir no interior. A desculpa para o não investimento público nessas zonas é a falta de recursos financeiros do país mas o dinheiro não falta para os mega proectos cabeça de vaca dos governos "socialistas".
Para mim que aqui irei acabar os meus dias, tanto me faz o TGV como a OTA. O comboio nunca o verei passar por aqui e com alguma sorte lá verei um dos aviões a preparar-se para bater em cheio na serra de Montejunto, ao lado de uma das pistas da OTA. Esperemos que ao menos dessa vez siga vazio ou apenas com os ministros todos lá dentro. Com um pouco mais de sorte ainda será mesmo o voo inagural. Digo isto sem qualquer rancôr, claro.

De um ano para o Outro...
Aparecem por cá, comem, bebem, cantam a "Vila Morena", dão-me mais uns tirinhos na casinha azul e depois saem a peidar-se ruidosamente. É o 25 de Abril numa aldeia do Baixo Alentejo.
Até para o ano!.
