Aqui também não há Natal
O Natal chega aqui no dia 26 mas como já não é dia dele passa de lado. É sempre assim desde a eternidade dos tempos.
Por outro lado, o Menino Jesus se tivesse nascido por aqui teria certamente sido confundido com um borreguinho e comido como os demais.
"Grândola Vila Morena, terra da fraternidade...". Com tanta fraternidade ainda me incrustaram mais alguns chumbos na minha casinha azul.
A consoada suou demais e também se cansou.
Vai haver eleições?
Aqui ainda não se fala nisso.
Quando surgirem lá virão de novo as carrinhas e os autocarros levar a população a votos, que é como quem diz ao local das urnas que fica geralmente a algumas dezenas de quilómetros das suas casinhas e estradas barrentas e cheios de mijo dos animais.
As carrinhas e os autocarros cedidos amávelmente pela Câmara e as Juntas todas, sempre ao lado do povo desde que o MFA se levantou em 25 de Abril sem saber que as coisas iam ser asssim, repetidamente, como no tempo da Velha Senhora.
Só eu fico sózinho ao pé da minha casinha azul, rústica e pobre. Sózinho no meu pátio arruinado e cheio de pedregulhos (os pedreiros não me vêm ajudar com medo de represálias da municipalidade "estás a colaborar com um anarquista" é o que lhes devem dizer de mim), as paredes da casinha cheias dos buracos dos tiros que enviam para cá como se fossem pequenas encomendas de ódio por terem um urbano a viver ao pé do cócó das vaquinhas. Têm medo que lhes abra a gaveta.
O Sócrates ou o Santana tão pouco virão por aqui (aliás nem o Bochechas veio, o último que cá esteve foi D. Sebastião, provávelmente antes de partir para Alcácer-Quibir porque nessa altura não se andava aos beijos aos fundamentalistas mouros). Agora quando partem é para mais uma jantarada, voto para cá, voto para lá, e mais uma garfada no tenro peru. O do nosso descontentamento.
Ainda não se fala em eleições no
CU DE JUDAS