Ainda se admiram?
A esta altura do blog devem estar a perguntar-se e sem razão: "Porque é que este gajo não escreve nada durante meses?".
A resposta é simples - venham para cá e se não tiverem a câmarazinha ou a junta de freguesia e o respectivo partido localmente dominante e verão o que é que vos acontece e a vontadinha que têm de escrever o que quer que seja.
Eu não sou arquélogo nem professor. Não tenho qualquer profissão por onde se lhe pegue, isto é, a que tenho é coisa de artista e isso não está a dar por estes lados (aliás nem por nenhum que isto de ser europeu desta Europa, dá mais com as finanças do que com as letras e as côres). Os professores têm sorte porque há sempre tabalho para eles, as crianças surgem ao mundo e a educação é forçada. Daí...
Quanto aos arquélogos, aqui há também muito trabalhinho para eles. As coisas demoram séculos a descobrir (daí a necesidade dos subsídios, logo mais dinheiro...), apesar da facilidade com que uma pedra de silex ou um coup de poing nos aparecem frequentemente, tal como os lagartos com quem me apetece dormir por alturas do Verão.
Ser arqueólogo por estes lados em que os séculos se acumulam e os traços do passado são visíveis a olho nu, é o que está a dar e muito. O presente fica como está mas o passado, ah o passado...
No Cu de Judas não podem esperar que escreva todos os dias. Às vezes passam meses. E dá cá uma vontade de me estender à beira de um sobreiro. Vou ver se há algum por aqui porque até esses...
E a casinha azul lá continua com os buracos feitos a tiro de caçadeira. Qualquer dia dão comigo aí estendido numa vala qualquer. Que isto de ser "estrangeiro" em terras do Alentejo profundo...
Não sou própriamente o José Régio e além disso tenho a caixa de depósitos quase vazia.
Agora também está mais frio...
A paisagem dobra-se ao peso da presença humana. Nenhuma. Quase pode tocar-se o silêncio! Quando se vai a Mértola ou a Alcoutim, ouvem-se as moscas e pouco mais.
A desertificação também dentro das pessoas. As poucas que ficaram.
É por isso que também eu deixei práticamente de escrever do Cu de Judas. A distância do centro come-nos as palavras. Estou à espera do Verão para me deitar de novo ao lado dos lagartos e dos cães. Depois logo se verá.
Entretanto e para me "estimularem" a partir de vez, já me dispararam mais tiros na casinha azul.
Mas quando se cai aqui difícilmente se sai. Pudera eu!