No Cu de Judas hoje n�o passou ningu�m!
Estou a escrever-lhes da minha casinha azul (a tal arquitectura r�stica t�o do agrado dos novos rica�os da cidade que aqui v�m tirar fotografias, comer as migas e os enchidos e depois partem contentes depois do dever cumprido). Ficam t�o satisfeitos por virem ao campo cheirar a merda que aqui h� por todo o lado mas que eles n�o t�m nas cidades. A merda aqui � uma merda colectivista, solid�ria, caminha sob os nossos sapatos e n�o nos larga para onde quer que vamos. N�o se trata de merda em sentido filos�fico, social ou pol�tico, mas merda mesmo. Agarra-se volunt�riamente aos nossos sapatos porque convivemos com ela, estamos metidos nela.
Os que v�m c� s� conhecem a solidariedade dos enchidos e da sopa alentejana, depois partem e n�o chegam a visitar a im�ndicie em que se vive.
O M�rio Soares, o tal das bochechas que agora defende a negocia��o com os terroristas isl�micos (parecidos com alguns que vivem por aqui que at� j� deram tiros na minha casinha de janelas azuis), veio ao Alentejo um dia e fartou-se de gabar a "solidariedade alentejana".
Solidariedade vi na Pol�nia democr�tica que os militares estalinistas derrubaram, com a ajuda dos tanque sovi�ticos. Solidariedade foi coisa que aqui ainda n�o vi nem sequer entre pares, entre eles. Isso � mais uma dessas mitologias t�o portuguesas que servem sobretudo para aquecer os cora��es dos pr�prios e principalmente dos que um dia resolveram cantar a "Gr�ndola Vila Morena" em c�ro e fizeram disso um mitozinho que n�o tem qualquer correspond�ncia com a realidade. J� l� fui (a Gr�ndola), tantas vezes e nunca consegui encontrar a dita. Indaguei nas vendas, espreitei nas ruas, perguntei nas portas. Nada. A Gr�ndola inteira, "solid�riamente" como lhe conv�m, devia t�-la escondido nalguma gaveta da cozinha ou ent�o a solidariedade ela mesma, viajou para o Norte e � onde mora desde h� s�culos (e eu n�o sou nortenho aviso j�, mas pude cumprimentar a dita sempre que l� fui). Aqui se cumprimentas, o m�nimo que te pode acontecer � ficares sem bra�o. Solidariedade? N�o dei not�cia, p�. Olhe procure ali (e o "ali" � a quil�metros de dist�ncia mas deixam-te correr os quil�metros todos e continuam a dizer "� ali").
O problema dos M�rio Soares e dos Sampaio, � que quando abrem as portas dos pal�cios que n�o s�o deles ficam convencid�ssimos que est�o a abrir-se ao povo, a perceber o que querem as pessoas. Fingem. Se n�o fingissem iam para as casinhas deles e largavam os pal�cios que n�o s�o deles.
Por isso quando resolvem sair em "Presid�ncia Aberta" que ningu�m sabe o que isso �, visitam tudo menos a merda que h� nas aldeias, a falta de arranjo dos caminhos, as crian�as a brincar nas po�as. E comem, comem, n�o param de comer. E incham de tanto comer. Quase rebentam. V�o magros para os pal�cios e saiem de l� gord�ssimos. Olh� Guterres como engordou depois de ir para S. Bento! Mesmo que n�o se goste do Portas ou dos seus submarinos, este ao menos emagreceu! At� o Ferro Rofrigues engordou enormemente depois de ser ministro.
O empenhamento p�blico devia medir-se pelo n�vel do ventre. Quando algu�m entrasse para o governo media-se-lhe a barriguinha. A meio da governa��o tirava-se de novo as medidas e no fim fazia-se a medi��o definitiva. E isso sim � que contava para a an�lise dos resultados da governa��o. Porque o trbaalho, o esfor�o, a canseira governativa, n�o incha o ventre.
Voltando atr�s ao t�tulo deste "posting", hoje n�o passou por aqui ningu�m!
No Cu de Judas
O Cu de Judas continua no mesmo s�tio!
A avaliar pelas cordenadas, o Cu de Judas ainda n�o mudou de s�tio. As pessoas continuam as mesmas. De vez em quando um ve�culo p�ra, as pessoas saem e depois ficam c�, pelas mesmas raz�es que eu fiquei. � como num filme de vampiros da Hammer. Geralmente � por causa de um pneu que rebenta ou de uma petit avaria mec�nica. Depois � a velha hist�ria. Sempre o enamoramento da paisagem, a curva das serras. E o ar, sobretudo o ar que sopra das serras. Nos C�rpatos fica-se sem sangue, aqui tiram-nos logo a alma toda.
Ontem um alde�o que vive perto da minha casinha de janelas azuis, caiu com o autom�vel a uma ribanceira aqui perto. Um vizinho dele (e meu), passou por l� mas n�o o socorreu. Viu-o prostrado ao fundo cheio de sangue e n�o ligou coisa alguma. Segundo a v�tima (mais tarde encontrei-o na venda ali perto), o vizinho alentejano tinha-lhe encolhido os ombros à passagem.
A vida corre assim...
No Cu de Judas
Disseram que era um "atraso de vida"
Quando falei pela primeira vez ao telefone com algu�m (os telefones est�o quase sempre avariados aqui no Cu de Judas), um amigo que vivia em Lisboa, perguntou-me "E onde � que � isso? N�o te consigo ouvir bem..." e eu respondi "� ao p� das serranias algarvias, entre M�rtola e o Cachopo".
"� p� para onde foste morar? Ent�o isso � Portugal ou qu�?", e eu "� sim, fica ao sul mas ainda � Portugal". E ele "Puxa, para onde foste. Quer dizer, nunca mais vais sair da�. Pensas ficar?" E eu "N�o sei como hei-de sair. Ca� aqui e agora a camioneta s� vem daqui a v�rios anos". "A estadia � p�rp�tua", disse-lhe para terminar.
O telefone desligou-se depois. Foi a �ltima pessoa que ouvi do outro lado do Cu de Judas. J� foi h� perto de 7 anos!
No Cu de Judas
O lugar do Cu de Judas, � a� que um dia resolvi ficar...
Vivo no pior lugar do Mundo. Quando algu�m p�ra ao Sul de Portugal, na fronteira com as serranias do Algarve mas ainda a tocar no Alentejo (ali�s s�o pr�ticamente irm�os, o Algarve e o Alentejo, t�m muitas cumplicidades - as da matriz �rabe e o h�bito de disp�rem tudo o que t�m dentro de uma gaveta herm�ticamente fechada), n�o pode deixar de encher o peito com o ar que sopra das serras e pensar que est� no para�so. Para os ambientalistas, isto � irresist�vel. Mas o pior � que n�o ficam. Param, olham a paisagem, comem abundantemente nas tascas das aldeias, mas depois chega a noite e v�o para os seus centros de acolhimento verde.
Os outros � que ficam. Como eu. A pessoa convence-se e deixa-se ficar por ali. Se tiver dinheiro para fazer jorrar o vinho nas adegas, tudo bem. Mas se n�o tiver... Os dias v�o passando e quando se olha à�volta est�-se em pleno Inferno. N�o o de Dante ou dantes mas o Depois. O inferno vem depois, depois de um pequeno purgat�rio (conspira��es alde�s, atrasos e "adiamentos" burocr�ticos da c�mara e afins, olhares repletos de obliquidade), passamos directamente para o inferno total. Um Total recall com o islamismo por saudade. O isl�o est�-lhes no fundo da alma. À falta de um Salman Rushdie ca�am os poetas locais. N�o olham dos minaretes porque j� n�o os têm, mas espreitam-nos em cada canto. Para onde quer que vamos.
Tudo solid�riamente.
No Cu de Judas