OS ISLÂMICOS MODERADOS AINDA NÃO APARECERAM. ONDE ESTÃO?
O Sheik David Munir, Imã da Mesquita de Lisboa tem um rosto pacífico e gestos cordiais. Seria um absurdo ver nele um perigoso guerreiro da Jihad, alguém de que suspeitássemos sequer vir um dia intranquilizar a pacata vida dos portugueses e o nosso bem estar, cristão ou ateu.
No entanto e para infelicidade quer dos que professam o islamismo, quer dos que não professam e até se lhe opôem (é o nosso caso), o "problema" fulcral não está no facto do Sheik Munir ter um olhar doce, gestos pacíficos e cordiais.
O problema está naqueles que um dia, se Portugal o consentir, virão ocupar o lugar dos moderados e transformar as prédicas conciliatórias, em manifestos de ódio contra o Ocidente e contra os nossos usos e costumes ditos "infiés" e contrários a Alá.
Para já e em tom conciliatório, sem contudo erguer a sua voz numa condenação frontal de Bin Laden e dos terroristas islâmicos, o Sheik Munir sempre vai pedindo calma aos portugueses, dizendo "tudo era calmo, tudo era pacífico" e "estaremos atentos a qualquer movimento suspeito...", alertando ainda para uma certa "paranóia colectiva" contra os islâmicos no nosso país não vendo com bons olhos eventuais denúncias sobre mochilas e outros elementos transportados pelos islâmicos como elementos "suspeitos".
Nur Salé, um outro islâmico instalado em Portugal desde 1968, diz ainda "nós nem sequer tínhamos ouvido falar no Bin Laden, não conhecíamos sequer a Al-Qaeda, quem os conhece bem é o Sr. Bush". Sim, é verdade, Bush conhece-os bem mas por razões bem diferentes daquelas que "preocupam" o Sr. Salé. Bush e os americanos conhecem a Al-Qaeda porque esta assassinou 3.000 civis inocentes em poucos minutos, lançando aviões comerciais contra edifícios privados repletos de cidadãos civis inocentes. Gente que vivia pacíficamente nos EUA como o Sr. Salé vive pacíficamente em Portugal. O Presidente Bush, cujas responsabilidades com a segurança do Ocidente (para bem de nós, assinale-se), são bem diferentes das responsbilidades do Sr. Salé, conhece bem a Al-Qaeda e por isso quer destrui-la, o que infelizmente não é dito pelos moderados islâmicos.
Durante uma reportagem na televisão portuguesa, o Sr. Salé não se referiu à Al-Qaeda senão para atacar precisamente um político ocidental e um dos que lutam. Curiosamente não citou na sua alusão algo sarcástica nenhum político ocidental anti-Bush. Não disse "o Sr. Soares é que o conhece bem" ou "o Sr. Chirac é que o conhece bem". Preferiu citar precisamente um dos que lutam mais tenazmente contra o terrorismo internacional. É claro que este pormenor não teria qualquer relevância política não fosse o facto de não vermos (do lado dos moderados islâmicos), qualquer reacção ou oposição firme contra os extremistas islâmicos, a Al-Qaeda e outras organizações terroristas. Pelo contrário o que vemos é os moderados acentuarem as suas diferenças com o Ocidente (curiosamente onde muitos escolhem viver) e mesmo atacar os políticos ocidentais, o que jamais nos seria permitido se optássemos por viver nalgum dos estados islâmicos. Enquanto do lado ocidental vemos multidões a protestar contra a política do Presidente Bush, vitimizando até os terroristas islâmicos e desculpabilizando as suas acções, ao contrário nos países islâmicos não assistimos a nenhuma manifestação de protesto contra os regimes autocráticos e contra as ditaduras instaladas no Poder. Essas manifestações quando existem são ferozmente reprimidas como sucedeu há alguns meses com uma manifestação de estudantes no Irão.
Entretanto e para ilustrar a "moderação" de alguns islamitas em Portugal, acaba de ser publicado um relatório intitulado "Relatório de Segurança Interna (ver "Independente" online de 30.3.04), no qual se conclue que "Portugal é uma plataforma para actividades de apoio a estruturas terroristas", tendo sido já detectado um grupo com ligações a terroristas islâmicos.
E nós perguntamos: quem é a "plataforma" islâmica portuguesa?.
A propósito do silêncio algo cúmplice dos verdadeiros moderados (mas preocupantemente tão moderados como os Daladier e os Chamberlains que se abstinham de atacar Hitler mesmo quando este já havia invadido a Checoslováquia), transcrevemos aqui aquilo que, em entrevista à BBC , afirmou recentemente o Primeiro-Ministro de Singapura, Lee Kuan Yew "Na realidade a verdadeira batalha é entre os islâmicos moderados e os extremistas. De momento porém os moderados ainda não se viram". Isto é dito por um dos representantes do Islão moderado e funciona como um alerta à interrogação e reflexão sobre o papel verdadeiramente desempenhado pelos islâmicos moderados no Ocidente, os quais muito "pacíficamente" vão pedindo calma e moderação (não aos terroristas mas sim às populações locais), enquanto ao mesmo tempo se recusam a denunciar com veemência aquilo que fazem os seus "irmãos" extremistas.
Ora os pedidos de calma não nos confortam nada, tal como não puderam confortar os cidadãos inocentes que foram assassinados em Madrid, apenas porque o seu país se recusou a marchar ao lado dos fanáticos contra Bush e os americanos.
A democracia portuguesa (como a francesa, a americana, etc.), permite-lhes que falem e actuem em liberdade expressando-se como bem entendem, nomeadamente atacando Blair ou Bush, facto que não sucederia se fôssemos nós a ter optado pelos seus países e aí nos atrevêssemos a criticar Kadhafi ou os autocratas da Arábia Saudita. Mas o vosso silêncio sobre os crimes que têm vindo a ser cometidos pelos vossos "irmãos" extremistas, não é naturalmente reconfortante.
Tal como afirmou Kee Kuan Yew, os moderados realmente ainda não se viram.