PORTUGAL E O ISLÃO, HOJE

Tudo o que se possa dizer sobre as relaçoes de Portugal com o Islão relativas ao passado, não se aplica necessáriamente a uma leitura ou abordagem dessas relações no presente. Ainda asssim permanecem algumas "lições" que conviria não menosprezar.
Contudo, o que se passa hoje, é de natureza bem diferente daquilo que se passava há séculos quando a Reconquista, em Portugal (como aliás em Espanha), significou inevitávelmente o fim da ocupação ou invasão árabe e islamita em terras europeias.

A situação presente apresenta desafios e confrontos, inesperados (ou talvez não tanto), a que urge dar uma resposta firme e urgente.
A presença islâmica ou islamita em Portugal,  não revela ainda os sinais preocupantes que se manifestam desde há alguns anos em países europeus, como a França, a Itália, a Bélgica, a Inglaterra e outros.
Por outro lado, também é manifesto que essa presença, além de pouco expressiva (quer em número, quer quanto à sua projeccão ideológica), não se tem, por enquanto,  manifestado significativamente no que concerne à sua componente mais violenta e totalitária (dito por alguns, fundamentalista). Não sabemos o que se passa hoje na Mesquita de Lisboa (aliás somos laicos e naturalmente kafirs indefectíveis), mas não nos consta que nela ecoem para já os apelos à Jihad ou à aniquilação de Israel, dos judeus e de preferência todos, dos americanos e ingleses, isto é, do Ocidente (realidade onde nascemos e vivemos afinal). Os portugueses, feliz ou infelizmente, nunca constam de nenhuma lista de "perseguidos" (estranho não acham?), talvez por passarem despercebidos (não o sabemos e provávelmente se continuarmos a ser como somos, nunca o viremos a saber).
Mera questão táctica dos islamitas unidos que já se encontram em Portugal? Afinidades incontornáveis? Ou estarão a guardar-se para outras épocas bem mais favoráveis?

Perguntava há pouco a Oriana Fallaci se se passaria em Portugal o mesmo que noutros países (Itália, a sua Itália favorita, em França, Bélgica, Alemanha e Inglaterra), isto é, se aqui se passsava o mesmo que nesses países onde só falta espetarem a bandeira de Saladino na Downing Street ou na Notre Dame e de lá não saírem per saeculum saeculorum. Ainda não Cara Signora, guerrilheira anti-fascista aos 14 anos, voluntária mas sem bombas à cintura. Aqui ainda não mas não sabemos se se trata ou não de uma questão de tempo ou de oportunidade.
Porta e porto de passagem (temos o mar a ocidente e não há como fugir disso), também os fundamentalistas islâmicos se devem sentir com a mesma dificuldade de circulação que nós sentimos, isto é, TODA e isso não convirá certamente a tão ilustres e pacíficos "viajantes". Ou talvez porque tudo aqui é mais pequeno e a coscuvilhice "big brother is watching you" levante também algumas dificuldades a quem pretenda passar no maior dos anonimatos. Ou talvez ainda porque o nosso páis não seja uma rota prioritária - é preciso começar por algum lado, porque não desta vez iniciar a rota pelo próprio centro da Europa, paralisando-lhe aí o coração, a identidade e integridade culturais (coisas que não existem em Portugal, alguém nos pode explicar onde foi parar a identidade cultural dos portugueses?).
Para depois avançar para outros destinos bem mais acessíveis e Portugal é um destino tão fácil depois de se passar por tudo.

No fundo, o que parece manter-nos afastados fora de rota das preocupações dos islamitas mais reacionários e violentos, são sobretudo os nossos defeitos, as nossas dificuldades e limitações, a nossa miserabilidade. Porém não nos deverão faltar (a nós que também somos europeus e fomos portadores em tempos do facho civilizacional), as mesmas vozes de apelo ao sangue e à destruiçao dos infiéis (sempre através da água ou do fogo ardentes pois claro).
Apenas não se manifestam para já. Públicamente?. Nem pensar.  Que os tempos não sopram ainda favoráveis. Portugal é um país irmão, tivemos até um presidente unha com carne com Arafat.
Por isso, a guerra santa, a Jihad, trava-se por ora noutras paragens (ainda há meses na Bélgica lá estavam os axaxins em plena rua ao assalto do poder, não fazem por menos,  democratas só por fora dos seus países, já vão concorrer às eleições e um dia vão ganhá-las por certo, veja-se como muito recentemente influenciaram as eleições em Espanha através de vários atentados terroristas).
E a que preço bem o sabemos - já nem as crianças são poupadas, AS CRIANÇAS, as crianças que, no seu entender de psicopatas, apenas por terem nascido em território capitalista e não sob uma tenda no deserto, serão um dia consideradas cidadãos de Gomorra, pecadores e kafirs a quem será melhor, desde já, encurtar a existência, tudo em nome de Allah e para que conste.

Portugal já conta com algumas dezenas de milhar de islâmicos no nosso país. Ou menos. Por ora a Al Qaeda é apenas uma notícia nos jornais, ao canto da página de preferência (exceptudando talvez algumas notícias do Expresso ou do DN). Não há perigo. Os cantos de sereia do paraíso islâmico não são cantados da forma tão comovedora como nos EUA ou na Inglaterra (onde artistas como Cat Stevens e tantos outros se deixaram enredar definitivamente ao ponto de se tornarem ameaçadores - vide caso de Salman Rushdie). Mas a seu tempo, Portugal estará na mira da telescópia islâmica e de porto ou porta de passagem será inevitávelmente lugar de incursão e acomodação. Sabe-se como os portugueses são impáticos e hospitaleiros e até foram dos primeiros a abolir a pena de morte. Membro da Al Qaeda por aqui?  Não meu caro senhor, não dei notícia, por cá é tudo gente de bem.
E assim, sem sobressaltos e a coberto das cumplicidades "árabes" dos portugueses, os reaccionários e fascistas islamitas irão certamente instalar-se de armas e bagagens (as primeiras dentro das segundas), e Portugal será como outros países, alfobre de ódios, invejas e vinganças destinadas a servir de pretexto para o seu desejo aliás mal disfarçado, de conquista e dominação do Mundo.

Kafir Carlos Torres, Lisboa 16032004