O Sheik David Munir, Imã da Mesquita de Lisboa, além de ir pedindo calma aos portugueses, prestaria um claro serviço à causa da luta contra o terrorismo islâmico, se usasse a sua influência e autoridade religiosa e viesse à comunicação social rejeitar categoricamente o terrorismo islâmico como contrário ao Islão e denunciando como anti-islâmicos todos aqueles que recorrem ao terrorismo para fins políticos aliás claramente confessados - a destruição dos "infiéis" ocidentais. O imã da Mesquita de Lisboa sabe, tal como nós, que a defesa dos "povos oprimidos" do Islão e a "luta pelas aspirações dos palestinianos" não são senão, para a Al Qaeda, o Hamas, a Jihad Islâmica e outros grupos palestinianos, apenas um pretexto para alcançarem o seu objectivo principal (isso está escrito nos seus manuais) - a destruição de Israel. Ou seja, cumprir aquilo que os nazis não conseguiram fazer!. Não se esqueça também o Sheik Munir que, enquanto decorre a caça aos terroristas islâmicos também, do lado ocidental, se tenta caçar e levar à justiça, o criminoso e fascista Karadzick, assassino de milhares de muçulmanos bósnios. O fascismo, seja qual fôr a ideologia ou religião em que se "fundamente" deve ser combatido frontalmente, com actos e corajosamente, não apenas com palavras ou "negociações".
Não consta porém que os islâmicos moderados estejam a aprisionar os seus fascistas.
O Sheik Munir sabe, tal como nós, que há situações em que o silêncio é cúmplice. Se o Sheik David Munir olhar para o nosso passado durante o período da Inquisição, verá como foram muitos membros da própria Igreja Católica que tiveram a coragem de contestar os inquisidores e sofreram às suas mãos por esse facto. A luta contra a Inquisição não foi apenas desencadeada por herejes ou infiés mas também por monges católicos. É preciso sempre alguma coragem para lutar contra os opressores, sejam eles católicos, islâmicos judeus ou hindus.
Não será pois pedir-lhe muito que, em vez do tom conciliador que tem vindo a adoptar enquanto são assassinadas nas ruas, centenas de civis inocentes nos países ocidentais, seja mais directo e frontal na denúncia do Terror que se serve do Islão para levar a cabo as suas acções contra o Ocidente, justificando-o com as injustiças de que padecem os povos árabes e como se aquelas pudessem alguma vez, ser resolvidas com o assassinato de civis inocentes.
Foi esta rejeição clara do terrorismo como contrário ao Islão, que fizerem recentemente os líderes das mesquitas de Londres, preocupados naturalmente com a possível reacção da população inglesa em relação a eventuais assassinatos em massa por parte dos islamitas em Londres.
Ainda que tais apelos sejam feitos sob a pressão desses receios, os mesmos são louváveis e só pecam por algum atraso. O Sheik David Munir que tem sido demasiado comedido nessa denúncia, deveria pois seguir o exemplo dos seus irmãos muçulmanos de Londres. Embora tais apelos não devam fazer diminuir a vigilância anti-terrorista, seriam contudo uma forma clara da comunidade islâmica portuguesa denunciar o terrorismo e portanto empenhar-se na luta contra o mesmo por forma a evitar eventuais excessos anti-raciais por parte das populações portuguesas em caso de um eventual atentado semelhante ao de Madrid, Bali ou Nova York.
Kafir WebMaster, Austin, 1042004
NOTA: Sabemos que alguns dos membros da comunidade islâmica em Portugal, lhe pedem práticamente o oposto, isto é, que seja mais frontal e directo na condenação dos EUA e Israel (e sabemos, em termos práticos, o que significa essa "condenação").
No entanto e mesmo neste caso, as diferenças são abissais - nós não lhe pedimos que apele ao ódio e à radicalização das suas posições. Ao contrário do que fez por exemplo o Sr.Abdullah Al-Taher (in "Carta aberta ao Xeque David Munir", Dossiers - Público.PT, edição 11.9.2002), nós pedimos-lhes apenas que apele contra um inimigo comum - o terrorismo.