Personalidades diferentes e de áreas políticas também diferentes, Nuno Rogeiro e Pacheco Pereira, com os seus estilos e modos de ver muito particulares, têm contudo a coragem de ultrapassar os preconceitos e barreiras políticas e ideológicas, em relação a uma questão que mais do que dividir partidáriamente as pessoas, devia uni-las em torno de objectivos comuns (que é aliás o que faz, do outro lado da trincheira, o terrorismo islâmico. Não consta por exemplo, que o Sheik Hassan Al-Turabi do Sudão esteja em acesa polémica com Bin Laden ou que o Sheik Hamsa (Londres) tenha divergências com o Sheik Zoud (Austrália) ou ainda, que a ideia de aniquilar as crianças num autocarro escolar ou de preferência num shopping center, esteja a dividir o Sheik Humbali da Tailândia (agora preso), e o Omar Bakri Muhammad de Edmonton (Inglaterra). Todos alinham na mesma frente de guerra que é a nossa destruição total (isso escrevem eles, não somos nós que o dizemos).
Para eles nós somos infiéis e não se pôem a discutir como devemos morrer, se enforcados numa ponte como sucedeu recentemente em Fallujah ou se calcinados dentro de um comboio de passageiros quando nos deslocamos para os nossos empregos (como em Madrid). Ao contrário dos políticos e jornalistas ocidentais que giram na órbita do anti-semitismo e do anti-americanismo (dando assim razão aos "radicais" esquerdistas e estes têm-na sempre quaisquer que sejam os sistemas ou os governos), os extremistas islâmicos não se pôem a discutir o sexo dos anjos, até porque de sexo nem sequer querem ouvir falar...
Apesar de discordarmos das análises de Nuno Rogeiro e Pacheco Pereira, no caso da liquidação do criminoso Yassin (ambos, em nosso entender, não perceberam ainda que a sua liquidação física, se enquadra numa situação de guerra e não pode ser encarada como um assassinato político, como aliás não o seria se os palestinianos alvejassem mortalmente Sharon - como já o fizeram com um dos anteriores ministros do turismo e não consta que alguém, em Portugal, tenha chamado assassinos aos palestinianos por esse facto), concordamos porém, quase na totalidade, com as suas apreciações sobre o Terrorismo e em geral sobre o conflito israelo-palestiniano, muito embora não enquadremos o Hamas e nem sequer os grupos armados da OLP como grupos de "resistentêmcia". A resistência armada nunca se faz contra as populações civis inocentes. Seria o mesmo que os judeus na II Guerra Mundial (e mais desespero do que eles tiveram não deve haver), se armassem de bombas à cintura e as fizessem explodir nas esplanadas e night-clubs dos alemães. Por muito desespero que se possa ter (e nós concordamos que as populações palestinianas também estão desesperadas - as partes têm de assegurar pois e urgentemente um clima de paz duradouro na região), as acções armadas contra civis inocentes são e serão sempre terroristas, qualquer que seja a causa ou a situação de desespero dos atacantes.
Nuno Rogeiro, Pacheco Pereira, Azevedo Lopes e alguns poucos comentadores e jornalistas de talento, têm sido os casos raríssimos de uma informação e análise imdependentes, não alinhando no clima de histeria anti-americana e anti-israelita (para não dizermos com maior propriedade, anti-semita), que parece dominar a comunicação social portuguesa e em grande parte europeia (com as notáveis excepções do "Figaro" e alguns mais).
Tendo vindo da área de esquerda (onde militei partidáriamente durante muitos anos, quer antes, quer após o 25 de Abril), creio que tenho o distanciamento e o à vontade para falar deste tema com alguma isenção. Em 1975, integrado num grupo profissional e a convite da EL-AL e do próprio Governo israelita de então, visitei Israel (estava-se em plena fase de combates fronteiriços e ainda pude asssitir a algumas das movimentações áereas), e pude constatar aquilo que na minha visão da época constituía para mim uma situação insustentável e gritantemente injusta - a militarização da sociedade israelita e a ocupação de territórios palestinianos. Durante muitos anos mantive a perspectiva de que a principal responsabilidade no conflito seria de Israel, em grande parte devido à ocupação de territórios na sequência das várias guerras com os países árabes da região. Durante a minha visita e num jantar com o Ministro do Turismo de então, pude inclusive, com toda a liberdade e sem qualquer incómodo, criticar abertamente essa política, questionando os responsáveis do governo presentes sobre a situação das populações árabes. A minha posição era pois claramente pró-paletiniana. Contudo pude falar livremente e embora não tivesse ficado convencido sobre as suas razões, o facto de o poder dizer livremente não se me apagou da memória. Mais tarde, foi a passagem das acções de "resistência" contra o militarismo israelita, para uma via terrorista que justifica e mata indiscriminadamente civis inocentes, que me levou à inversão total das minhas posições. Não concebo que alguém pretensamente "iluninado", e em nome de um povo, possa liquidar centenas de pessoas desarmadas e inocentes para as punir pelas accões do seu governo ou do seu aparelho político-militar. Isso não é sequer concebível de um ponto de vista, quer de esquerda, quer dito revolucionário. As revoluções são transformações sociais e políticas (fazem parte aliás da dialéctica da vida, pois esta não é imutável), mas não têm na sua matriz e essência, objectivos de sangue mas sim a mudança do Poder, a passagem deste para as mãos dos revolucionários. Isso não tem necessáriamente que passar pela destruição de populações civis inocentes e não tem qualquer justificação de um ponto de vista político ou ético. Na Revolução bolchevique por exemplo poucos tiros foram disparados e se houve vítimas o menos que se pode dizer é que não eram inocentes.A própria Revolução Americana não se fez à custa de vítimas civis inocentes. O mesmo no caso da Revolução Francesa ou do "assalto" dos revolucionários barbudos da Sierra Maestra à capital cubana. Podemos não ter as mesmas posições em relação à Revolução Cubana ou à Revolução Bolchevique, e nomeadamente ao que se seguiu depois dela, mas é um facto que não foram acções terroristas mas sim acções armadas revolucionárias. Goste-se ou não se goste das mesmas.
Ora o terrorismo islâmico e palestiniano fazem exactamente o oposto - quando vêm os exércitos "invasores" (americano, da coligação ou israelita), fogem e retiram com as suas armas para as caves, escolas e hospitais, refugiando-se de preferência atrás de mulheres e crianças (como fazia o criminoso Yassin). Depois quando os exércitos "invasores" se retiram, voltam de novo "triunfantemente" às ruas para lançar os rapazes-bomba ou os morteiros, não contra os militares israelitas mas sim contra as populações civis do lado "invasor". Isto não é revolução nenhuma, não é sequer luta armada. Isto é terrorismo e este não tem qualificação senão essa, não tem causa, senão a de matar por matar.
Nuno Rogeiro, Pacheco Pereira e alguns poucos comentadores (independentemente das opiniões ou do seu "estilo", com os quais possamos dicordar pontualmente), são raros num deserto feito de obscurantismo, falta de inteligência e de lucidez e nalguns casos até de uma certa cumplicidade com o terrorismo (veja-se o caso do "Correio da Manhã", que vive práticamente da mentira organizada, e que procura amendrontar a opinião pública portuguesa e prepará-la para aceitar o pior, ou seja o melhor para os terroristas islâmicos que é o nosso medo!). Isto não é informação, é colaboração com o inimigo.
Num momento particularmente grave, em que os órgãos de comunicação social têm enormes responsabilidades políticas e sociais e a consequência daquilo que dizem (ou dizem deformadamente), pode ser catastrófico para as próprias populações, é preciso realçar a coragem daqueles que, por vezes isoladamente (como alguns o estavam antes da declaração de guerra da Inglaterra à Alemanha Nazi), e por vezes com os ataques sórdidos dos seus "adversários" políticos, vêm colocando as questões de uma forma imparcial e independente mas que salvaguarde os valores civilizacionais do Ocidente e nomeadamente os da liberdade e democracia (os grandes inimigos do Islão retrógado e extremista). Na frente de combate contra o terrorismo não se pôem a analisar "intelectualmente", se a intervenção armada contra o Iraque é legal ou não à luz do direito internacional (quando se tratou da Jugoslávia, mesmo sem o acordo das Nações Unidas, para os socialistas e os políticos europeus moles, aí a intervenção militar já foi legal), mas se nas condições actuais (como no caso da Jugoslávia em relação ao cerco a Sarajevo), a ONU está em condições de assegurar a derrota do terrorismo que actua a uma escala global e não de acordo com "parámetros militares" convencionais.
Dentro da orientação deste site e na sua linha de combate crítico e frontal contra a desinformação dos media, não quis deixar de sublinhar aqui o posicionamento correcto destes analistas e homens políticos, tal como o vimos fazendo com outros infelizmente de sinal contrário.