A Arábia Saudita financiou os atentados
do 11 de Setembro
23 de Novembro de 2002 - O FBI está a investigar, se a utilização pelo governo saudita da conta bancária da mulher de um diplomata saudita não teria servido para enviar dezenas de milhares de dólares a dois estudantes sauditas nos Estados Unidos que forneceram ajuda a dois dos terroristas do 11 de Setembro, de acordo com fontes responsáveis pelo cumprimento da lei.
O FBI descobriu registos bancários que revelam um pagamento regular de dinheiro à família de um dos estudantes, Omar Al Bayoumi. O dinheiro começou a ser pago no início de 2000, apenas alguns meses após a chegada dos terroristas Khalid Almidhar e Nawaf Alhazm vindos de uma "cimeira de planificação" da Al Qaeda que teve lugar em Kuala Lumpur na Malásia, de acordo com as mesmas fontes.Nos dias posteriores à chegada dos dois terroristas aos Estados Unidos, Al Bayoumi estabeleceu amizade com os homens que desviaram o vôo 77, dando mesmo uma festa de boas-vindas em San Diego e pagando uma caução pelo arrendamento de um apartamento ao lado do seu. Al Bayoumi também teria pago $1,500 para cobrir o primeiro dos dois meses de aluguer para Al Midhar e Alhazmi, tendo os agentes do FBI afirmado que é possível que os piratas do ar tenham reembolsado esse dinheiro.
As fontes que têm tido acesso às provas, dizem que os pagamentos - no valor de $3,500 por mês - provinham de uma conta estabelecida em Washington, no Banco Riggs, em nome da Princesa Al Faisal de Haifa, casada com o embaixador saudita nos Estados Unidos (Príncipe Sultan de Moega) e filha do último Rei Faisal da Arábia Saudita.
Posteriormente Al Bayoumi deixou os Estados Unidos em Julho de 2001, dois meses antes dos ataques terroristas do 11 de Setembro. Contudo os pagamentos num valor mais ou menos equivalente prosseguiram a favor de Osama Basnan, um parente de Al Bayoumi que prestou igualmente auxílio aos piratas do ar.
Uma fonte federal declara que Basana, que recentemente tem sido reconhecido culpado de fraude sobre os vistos e que espera a sua extradição, era um simpatizante da Al Qaeda e tem vindo a celebrar ostensivamente, os" heróis do 11 de Setembro", falando de "dia maravilhoso e glorioso" em relação a essa data trágica.
Os representantes da administração declararam em diferentes entrevistas, simplesmente "não saber" o objectivo dos pagamentos da Princesa Haifa, nem se o dinheiro fôra transferido para os piratas do ar por Al Bayoumi ou Basman. Estas fontes próximas da Casa Branca referiram ainda não ser raro que sauditas ricos forneçam assistência financeira às famílias sauditas que vêm para os Estados Unidos. Os factos são incertos, e não há nenhuma necessidade de nos precipitarmos", declarou um representante da administração.
Mas outras fontes descrevem estes registos bancários como "explosivos", e referiram que estas informações provocaram uma intensa batalha nos bastidors, entre os líderes do Congresso e a administração Bush. Estas revelações particularmente embaraçantes para a Arábia Saudita, seriam consideradas prejudciais para a Administração Bush se feitas públicamente, num momento em que a Casa Branca procura o apoio saudita com vista à sua preparação de uma guerra eventual contra o Iraque. "trata-se dos interesses da política externa americana" referiu um outro oficial da administração, que citou ainda a necessidade de impedir uma ruptura entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita.
Um porta-voz da princesa Haifa, pelo seu lado, indicou que "cooperaria inteiramente com os Estados Unidos". "Nenhum representante do governo americano pediu à princesa, informações sobre estes pagamentos e não tinha até agora tido conhecimento destas alegações", acrescentou o porta-voz.
Os representantes da administração exprimiram a sua preocupação pelo facto da divulgação prematura das provas dos pagamentos poder obstruir o inquérito em curso por parte do FBI, particularmente os seus esforços no sentido de prender e levantar uma acusação formal contra Al BAyoumi. Deixando os Estados Unidos o ano passado, Al Bayoumi voou para a Grã-Bretanha onde se inscreveu como estudante num programa de gestão da Universidade Aston de Birmingham. Foi preso pela Scotland Yard após do 11 de Setembro, tendo negado categoricamente qualquer relação com os ataques terroristas ou qualquer conhecimento dos piratas do ar de Al Qaeda. Foi libertado uma semana mais tarde por falta de provas.
Presentemente, pensa-se que se teria refugiado na Arábia Saudita. Os investigadores dizem que estão ainda a examinar as suas actividades, suspeitando que teria podido servir de "posto avançado" aos piratas do ar.Os líderes de um inquérito da Comissão de Investigação do Senado têm vindo a insistir vigorosamente na publicação de um relatório confidencial que prova o fluxo de dinheiro saudita. Porém os representantes da administração Bush, quer o Procurador-Geral John Ashcroft, quer o Director do FBI Robert Mueller, recusaram categoricamente desclassificar a prova em que o relatório se baseia. O presidente do Comité de Investigação do Senado, Senador Bob Graham, recusou discutir a prova recolhida pelo inquérito comum, mas disse que ficou chocado com a intransigência da administração Bush. "esta está a guardar informações confidencais para atingir objectivos políticos", disse Graham.
Newsweek, Inc.