A Turquia na União Europeia

(Algumas perguntas a Max Gallo)

Historiador, próximo de Jean-Pierre Chevènement, cuja campanha dirigiu, Max Gallo acaba de terminar um fresco histórico em três volumes sobre os cristãos (Fayard).

O resultado das eleições na Turquia preocupa-o?

Máximo Gallo: Sim. Ouvi ontem responsáveis do partido majoritário afirmarem que o uso do véu (burkah) ia doravante ser autorizado ou mesmo incentivado nas administrações e nas universidades do país. Não é tranquilizador. Porque se quebraria então com a tradição de laicidade que prevalece na Turquia desde o reino de Atatürk. Os responsáveis internacionais deverão examinar com muito cuidado as primeiras medidas que tomará o novo governo e velar por que não ponham em causa os princípios essenciais dos direitos do homem. Francamente, não estou optimista.

Crê no conceito de islamismo moderado?

Máximo Gallo: Não. É uma expressão que não quer dizer muito. Há, parece-me, uma contradição nos termos: Como pode ser-se  islamista e moderado? De resto, observo que os responsáveis do partido apresentam-se hoje simplesmente como muçulmanos. Mantenho que deveremos ser extremamente vigilantes.

Neste contexto, será mais difícil para a Turquia aderir rapidamente à União Europeia?

Nunca fui favorável a essa ideia e o que se passa hoje não faz senão suportar a minha posição. Os Americanos e alguns países europeus exercem uma pressão desenfreada (lobby) em prol da Turquia com o argumento seguinte: vale mais ter este país no nosso campo do que vê-lo balançar na direcção do Oriente.

Mas há uma realidade geográfica e histórica que se impõe: não é porque a Turquia cercou os muros de Viena em 1683 que faz dela um país europeu.